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sábado, 29 de abril de 2017

5 Desafios que um profissional tímido precisa enfrentar

Se trabalhar exigisse apenas habilidades técnicas seria o mundo perfeito para muitos tímidos de plantão, que em muitos casos seriam os candidatos preferidos à muitas oportunidades profissionais que hoje passam longe deles justamente porque não são vistos. Mas existem algumas situações que, dependendo do cargo, fatalmente ocorrerão na luta por uma vaga e no ambiente do trabalho e que vale estar preparado para enfrentar:

1 - Dinâmicas e Entrevista de Emprego


Não tem jeito, uma boa empresa em seu processo seletivo vai submetê-lo a dinâmicas e entrevistas. Você pode ler uma centena de artigos para tentar prever o que será avaliado, mas você nunca saberá o que de fato foi considerado sem perguntar. Mas se você gaguejou ao falar, riu demais ou de menos, tremeu, teve o famoso “branco” ou lembrou-se de tudo que planejou falar só depois que o processo acabou, calma, não é o fim do mundo! Aconteceu com você e mais um terço dos participantes. Pense que existe algo que te diferencia e que te faz merecer aquela vaga independentemente da sua dificuldade pontual na seleção.

Não desanime na primeira tentativa. Peça feedback e trabalhe o ponto em que foi reprovado. Se for um processo interno pode ser que você faça vários processos com o mesmo selecionador e pareça marcação pessoal, sugiro que não perca tempo com essa teoria, e também não considere aqueles comentários dos colegas em volta que afirmam que só foi promovido quem tinha pistolão, que não adianta tentar de novo, enfim. Discurso deprimente que não soma. Claro que existe este tipo de situações em muitos lugares, e nem todos concordam que a pessoa indicada é a mais adequada à vaga, mas lembre-se de que você é o concorrente e não o selecionador para avaliar o perfil do contratado.

Dica: Se você está estudando (seja ensino médio, técnico ou universidade) saiba que não é vantagem deixar o cara mais desenvolto apresentar todos os trabalhos do grupo, que muitas vezes você construiu sozinho. Se ele já é bom para se comunicar, palmas para ele, se você não é muito bom nisso a escola é o seu palco! Lá se você errar no máximo vai perder pontos na nota e não uma vaga de emprego. Professor pediu para ler um texto? Se ofereça! Trabalho em grupo? Recuse-se a ler um texto escrito e achar que isso é apresentar. Desafie-se!


2 - Ritual de Integração

Enfim a vaga foi conquistada, você já não aguentava mais ouvir não, se inscrever em processo seletivo, ou pedir para te inscreverem (pedido muitas vezes não considerado) agora e só vida boa... Ops! De repente você se vê em meio a um grupo de desconhecidos, executando tarefas igualmente desconhecidas, considerando que na prática a teoria é outra e conhecer o produto de um trabalho não diz muito sobre o valor dele, agora você precisa se integrar ao grupo.

Aí começa o capítulo dois do filme de terror. O seu tom de voz baixa, o olhar igualmente, tudo parece incomodar o outro (mesmo que ele não fale nada) ali na sua tarefa rotineira, cheio de afazeres e você tendo que importuná-lo com perguntas que sempre serão óbvias para ele e nunca para você.

Isso não é problema de principiante num ambiente. Este sentimento voltará sempre que te lançarem um desafio novo que já é executado por outra pessoa e esta terá que te ensinar, e se não for obrigação dela, de qualquer modo ela será seu ponto de referência e a dificuldade será a mesma.

Dica: Aguente o tranco! Para os tímidos tudo parece mais difícil, mas sempre terá alguém menos truculento e com quem você vai conseguir ter afinidades. Aproveite essa conquista e vá criando novos laços. Comece com os amigos desse amigo, a turminha da hora do almoço. Devagar e sempre. Se isolar é muito confortável, mas não recomendo. Só de vez em quando, se achar que está a ponto de um ataque de nervos.

3 - Reuniões e contatos com desconhecidos

Ok, vencido o monstro interno, os colegas de trabalho já não são mais todos bichos papões (só alguns?), você já consegue se virar minimamente bem sozinho e sabe a quem recorrer sem tomar uma invertida desagradável. Mas se sua função for prestar serviço, isso significa a presença de clientes internos e externos, ou seja, muito mais gente desconhecida para lidar!

Muito mais cedo que você pensa te levam para uma sala de reunião com o cliente (com um pouco de azar ela será transparente e terá muita gente te observando), dizem que vão participar junto com você para ajudar, só que não! O que fazer? Sair correndo atrás da pessoa que te deixou sozinho na sala? Não! Quem está na chuva é para se molhar. E não fique na reunião pensando que está perdendo seu precioso tempo e que suas tarefas estão paradas e ainda vai sair com um monte de novas coisas da sala. Aceita que dói menos. Vai chegar o momento em que vai perceber que têm muitas afinidades com esses clientes, muitas vezes mais que com os internos, e tudo ficará melhor.

Também existirão as situações onde terá que ligar para pessoas para cobrá-las, ou para questioná-las de algo, e sempre existirão aqueles interlocutores receptivos, fofos, simpáticos, astutos e inteligentes e aqueles que você vai querer pagar para nunca ter que contatar, mas que vai ter que contatar assim mesmo.

Dica: Paciência. Vai trabalhando a dificuldade e convivendo com apontamentos em feedbacks após outro, pois não é uma limitação que se vença de um dia para o outro. No trabalho simplesmente não dá para escolher com que queremos lidar, e nada depende sempre de afinidade, muitas vezes educação já está de bom tamanho.

4 - Happy Hour

Seu local de trabalho não se limita a sua equipe, nem ao endereço da empresa, e nem sempre alguns rituais externos de rotina do tipo almoço em equipe preenche de forma efetiva a necessidade de cultivar relacionamentos. Vencer a etapa de integração não é suficiente.

Você sempre ouviu alguns grupinhos combinando de sair para algum lugar após o trabalho, e você só observa e pensa: “poxa no meio da semana! Que disposição, eu não bebo, amanhã tem trabalho, tem minha mãe, meu pai, esposa, filho, cachorro, papagaio...” Agora respira. Respirou? Um convite para um happy hour nunca vai funcionar para um tímido se for decidido em cima da hora, exatamente por que até o pensamento vencer todas as barreiras limitadoras o pessoal já pegou seus carros e se mandou.

Dica: Se com sorte o pessoal decidir algum encontro com antecedência, e te convidarem aceite, se não te convidarem e você souber, se convide. Se você não bebe ninguém vai te obrigar a beber, se você não fala palavrão ninguém vai te obrigar a falar, mas sim você é capaz de participar de uma forma muito saudável de um encontro com pessoas com quem jamais pensou em ter coragem de sair exatamente por serem as mais “de buenas” da empresa, os mais sociáveis. E você pode se surpreender ao se permitir quebrar sua rotina e ao mesmo tempo vencer mais um desafio dos tímidos.


5 - Festa de fim de ano da empresa

Estes eventos são aqueles que os especialistas sempre alertam que não é recomendável beber muito para não dar vexame, pois embora seja uma festa é uma ocasião corporativa, oferecida pela empresa e cheia de pessoas de todos os escalões da empresa.

Por mais que você se veja sobrando isolado no meio de um monte de grupinhos, não saia da festa. Sempre vão ter os caras que arrasam na dança, as moças que falam com todo mundo enquanto você só acompanha o movimento. É natural. É uma ocasião que junta quase todas as outras dificuldades citadas acima, mas tem uma vantagem: por ser um dia de festa as pessoas estarão mais simpáticas e menos resistentes a uma abordagem sua.

Dica: Curta o momento! No começo poucos se arriscam a dançar, até os que não são tímidos ficam polidos. Geralmente a percepção do que eu colocarei aqui é possível apenas para quem fica sóbrio: deixa alguns litros de álcool ser absorvidos pelo sangue dos participantes e logo todos começam a se soltar (não estou falando de porres e vexames). Aí vá no embalo (não da bebida, se não quiser), se solta, dance, se souber aproveita a ocasião, se não souber aprenda! Converse, brinque, conte piada, não fique chateado com a zoação, sempre vai ter um engraçadinho fazendo piadas de mau gosto, relaxa, nada pessoal. São momentos de leveza muito saudáveis para os relacionamentos. Não mata, mas fortalece!
O tímido vive com um monstro no pé do ouvido sempre contando as piores probabilidades que podem ocorrer se alguma atitude for tomada. Isso foi só o resumo, todo dia é dia de desafio para um tímido, o que não pode acontecer é a timidez virar justificativa para o fracasso profissional. Pense que é uma limitação completamente possível de vencer e administrável nos seus estágios mais graves. Já ouviram Danilo Gentili e Fausto Silva se autodeclararem tímidos? Você se imagina sendo apresentador de Talk Show ou Stand Up Comedy? Pois acredite, é possível!

sábado, 22 de abril de 2017

Altruísmo x Depressão

Recebi certa vez uma notícia que falava sobre depressão na adolescência que poderia ser minimizada por ações altruístas. Na época eu não soube muito bem o que fazer com a informação, não só porque eu estava levemente deprimida, mas porque já estava com 30 anos! 

No entanto, aproveitando o gancho da discussão do “jogo” Baleia Azul na adolescência e considerando que a atividade voluntária ultimamente é um ponto de interesse dos recruiters, e é um item de perfil de redes como o Linkedin, por exemplo, achei pertinente compartilhar minha avaliação da mesma. Um aviso: se você está deprimido, eu não estou te chamando de egoísta. Leia com atenção que eu explico.

A pesquisa produzida na Universidade da Califórnia e Universidade de Illinois, EUA, foi divulgada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences – PNAS (algo similar ao Scielo) e destaque na Revista Veja. Em resumo, foi feito por 1 ano o acompanhamento de um grupo de adolescentes de ambos os sexos, e aplicadas uma série de atividades com objetivo de avaliar a ativação de uma área do cérebro chamada de estriado ventral, relacionada a sensações de prazer vinculada a recompensas. Segundo os autores da pesquisa a adolescência é o período de desenvolvimento durante o qual as recompensas assumem especial relevância e vulnerabilidade. Com o resultado foi possível concluir que dos dois tipos de atividades que geram recompensas (hedônicas e eudemônicas) os jovens que apresentaram melhoras, redução ou evolução positiva nos sintomas depressivos foram os que optaram pelas atividades sociais, de apoio a família, etc.

Recompensas eudemônicas, segundo a pesquisa, incluem ajudar outros em necessidade, expressar gratidão e trabalhar em direção a metas de longo prazo, engajamentos em comportamentos pró-sociais para ajudar estranhos, amigos, familiares ou instituições de caridade. Estão relacionados a sentimentos de felicidade e significado. Proporcionam um sentimento de pertença e conexão social e constroem recursos, tais como sentimentos de competência, realização e melhores relações sociais.

Recompensas hedônicas por sua vez, tendem a ser mais autocentrada, incluindo o consumo de alimentos, jogar jogos virtuais, ir às compras para si mesmo e prazeres musicais, mas também pode envolver comportamentos de risco, incluindo exploração sexual e a experiência com bebidas alcoólicas (e acrescento aqui as demais drogas ilícitas). Estas recompensas durante a adolescência tendem a tornar os adolescentes mais agressivos e impulsivos do que crianças ou adultos, pois proporcionam sentimentos de felicidade e satisfação a curto prazo, mas esse efeito positivo tende a se dissipar mais rapidamente. A pesquisa reforça que a busca dessas recompensas pode ser prejudicial ao bem-estar, o que pode resultar em comportamentos de risco comprometedores para a saúde.

Quem quiser ler a pesquisa completa em inglês pode clicar aqui. As explicações acima foram traduções quase literais do texto. Não precisa muito esforço para encaixar as vítimas (criadores e participantes) do jogo Baleia Azul no grupo de estímulo cerebral de recompensas voltadas para o prazer autocentrado. Afinal, por mais absurdo que seja para quem está de fora, para o participante deve existir algum prazer em pertencer a um grupo, e ter alguém observando suas ações e recompensando cada tarefa concluída.

Esta pesquisa é uma ótima oportunidade para as escolas incluírem mais ações sociais em suas atividades. Saiam fora das salas de aula, já que sua estrutura também já está ultrapassada e não dá para ficar de costas escrevendo a giz na lousa enquanto seus jovens observam o celular, e depois fotografam o que foi escrito. Digo mais, os empregadores estão interessados em pessoas altruístas, que ajudam o próximo e a sociedade em geral. Estimulem positivamente o cérebro de nossos adolescentes! Aliás a pesquisa vale para todos.

Devo destacar aqui um nicho público que antes desta pesquisa já incluía na grade curricular ações de cidadania: o Centro Paula Souza. Infelizmente eu não estava mais na adolescência quando fiz ETEC, teria prevenido muitos males, mas participei de ações em prol da comunidade muito boas e edificantes. Outro fator importante foi essa mistura, eu não era mais adolescente, mas fiz parte da mesma sala com uma dezena deles e outros bem mais velhos que eu. Relações humanas muito saudáveis! Uma instituição que deu certo no Brasil, especialmente em São Paulo foi o CEETPS!

Para quem tem netos, filhos, sobrinhos, é melhor não pagar para ver se a depressão vai se manifestar apenas na fase adulta, onde teoricamente temos mais maturidade para buscar ajuda (sabemos que não é fácil), mas também tem muito pouca gente interessada em ajudar. Somos responsáveis pelos nossos jovens.

sábado, 15 de abril de 2017

As oportunidades não acontecem?

As oportunidades não acontecem, você as cria”. Essa frase foi citada pelo chef e fotógrafo do Arizona Chris Grosser. Não consegui identificar o contexto onde foi aplicada a frase, mas lendo-a isoladamente, embora ela esteja no ranking de frases motivacionais da internet não concordo muito com ela.

A palavra oportunidade vem do nome do Deus Romano Portunus, e está relacionado ao termo porto, que é a passagem entre o mar e a terra firme, a porta de entrada da cidade para os navegantes. Oportuno era o vento favorável que empurrava para o porto. Mantendo a figura, um marinheiro que quisesse navegar para determinada cidade deveria aguardar a oportunidade de que os ventos fossem favoráveis à sua navegação. De nada adiantaria içar as velas em direção à cidade se os ventos estivessem contrários. Que tipo de oportunidade mágica poderia ser criada nesta situação? Por mais que possam existir embarcações com uma tecnologia mais avançada (não entendo nada de modernidade marítima), certamente foram melhorias adquiridas pelo senso de oportunidade, ou seja, mais uma vez a adaptabilidade a uma condição existente e não o contrário.

Partindo para terra firme, quem está na lista dos desempregados a espera de uma oportunidade de emprego, também não deve ficar muito motivado ao ler a frase de Grosser tendo seus diplomas pendurados na parede, suas experiências anteriores relacionadas num currículo ao lado do seu segundo idioma e um pilha de cadastros em anúncios sem retorno e entrevistas recusadas. A fórmula da frase sugere o que? Não espere a oportunidade de emprego crie uma microempresa e contrate seus colegas de entrevista. Simples assim?

Claro que tem muita gente nessa fila esperando o mundo acabar em barrancos para morrer encostado. Currículo cheio de cursos incompletos, hibernando longos 10 anos de experiência na carreira júnior, envia cadastro para as empresas com o currículo no corpo do e-mail e sai das entrevistas sem pedir feedback pois está certo que o problema era da entrevistadora. São casos a parte. A grande maioria está no caminho certo, possuem objetivos sólidos, estão se preparando continuamente, mas a oportunidade não aparece.

Só para finalizar, imaginemos um funcionário de uma empresa que identificou que no seu próprio cargo existem formas melhores de se executar a mesma tarefa, mas muitas vezes implica em uma substituição tecnológica (a empresa utiliza tecnologias obsoletas no mercado), ou mesmo uma forma diferente de conduzir uma rotina, onde precisaria de mais tempo e espaço além do habitual. Ambas as situações precisariam que os chefes imediatos comprassem a ideia e lhe dessem a oportunidade de agir como tal. Nada de diferente poderia ser criado fora do momento oportuno.

"Aproveite as oportunidades que a vida lhe oferece. Encontre os oásis em seus desertos.
Os perdedores veem os raios.
Os vencedores veem a chuva e com ela a oportunidade de cultivar".

Augusto Cury


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Reforma da Previdência e Big Brother Brasil

Viralizou na última semana nas  redes sociais uma mensagem de indignação pública relacionando o programa Big Brother Brasil a Reforma Previdenciária:


"Votos para BBB 112 milhões em 48horas...
Votos contra a Reforma da Previdência menos de 2 milhões... Em dois meses
Entendem porque estamos nessa situação, alienação total.
Copie e cole....POVO OMISSO É BRASILEIRO"

Bom, li isso algumas vezes até que fiquei curiosa sobre o seu fundamento. Afinal, eu não assisto BBB para saber a quantidade de votos por hora de um paredão e eu também não votei contra a Reforma da Previdência. Aliás onde está ou esteve disponível para votação pública a decisão da Reforma Previdenciária? Em lugar nenhum.


Qualquer causa que tenha os canais do Twitter, Site oficial e SMS para votação, terá um número de participações maior que uma causa que nem aberta a votação pública está. Não é nenhuma particularidade do Big Brother Brasil.


Fiquei pensando de onde saíram esses 2 milhões em dois meses da mensagem. Ocorreram manifestações públicas contra a reforma. Duvido que se a decisão do paredão do BBB dependesse de manifestações participaria alguém além dos familiares mais próximos ou quem estivesse disposto a aparecer  na Globo. E olhe lá! Manifestação não é voto. 


Existem também algumas iniciativas de abaixo assinado pela causa, mas exatamente por serem movimentos dispersos também não têm chance de atingir os mesmos resultados do reality, mesmo que sejam somados no final. 


Os interessados, se já não receberam links por mensagem, procurem no Google e escolha uma vertente, ou para ser lógico participe de todos, pelo menos vai fazer volume de assinatura de todos os lados. Mas consideremos o fato de que nem todos vão buscar todos os movimentos disponíveis para assinar.


Logo a mensagem é muito sem sentido e incoerente. Os votos do BBB não implicam em omissão do povo pela Reforma da Previdência simplesmente por que nada tem a ver os alhos com os bugalhos.