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sábado, 22 de abril de 2017

Altruísmo x Depressão

Recebi certa vez uma notícia que falava sobre depressão na adolescência que poderia ser minimizada por ações altruístas. Na época eu não soube muito bem o que fazer com a informação, não só porque eu estava levemente deprimida, mas porque já estava com 30 anos! 

No entanto, aproveitando o gancho da discussão do “jogo” Baleia Azul na adolescência e considerando que a atividade voluntária ultimamente é um ponto de interesse dos recruiters, e é um item de perfil de redes como o Linkedin, por exemplo, achei pertinente compartilhar minha avaliação da mesma. Um aviso: se você está deprimido, eu não estou te chamando de egoísta. Leia com atenção que eu explico.

A pesquisa produzida na Universidade da Califórnia e Universidade de Illinois, EUA, foi divulgada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences – PNAS (algo similar ao Scielo) e destaque na Revista Veja. Em resumo, foi feito por 1 ano o acompanhamento de um grupo de adolescentes de ambos os sexos, e aplicadas uma série de atividades com objetivo de avaliar a ativação de uma área do cérebro chamada de estriado ventral, relacionada a sensações de prazer vinculada a recompensas. Segundo os autores da pesquisa a adolescência é o período de desenvolvimento durante o qual as recompensas assumem especial relevância e vulnerabilidade. Com o resultado foi possível concluir que dos dois tipos de atividades que geram recompensas (hedônicas e eudemônicas) os jovens que apresentaram melhoras, redução ou evolução positiva nos sintomas depressivos foram os que optaram pelas atividades sociais, de apoio a família, etc.

Recompensas eudemônicas, segundo a pesquisa, incluem ajudar outros em necessidade, expressar gratidão e trabalhar em direção a metas de longo prazo, engajamentos em comportamentos pró-sociais para ajudar estranhos, amigos, familiares ou instituições de caridade. Estão relacionados a sentimentos de felicidade e significado. Proporcionam um sentimento de pertença e conexão social e constroem recursos, tais como sentimentos de competência, realização e melhores relações sociais.

Recompensas hedônicas por sua vez, tendem a ser mais autocentrada, incluindo o consumo de alimentos, jogar jogos virtuais, ir às compras para si mesmo e prazeres musicais, mas também pode envolver comportamentos de risco, incluindo exploração sexual e a experiência com bebidas alcoólicas (e acrescento aqui as demais drogas ilícitas). Estas recompensas durante a adolescência tendem a tornar os adolescentes mais agressivos e impulsivos do que crianças ou adultos, pois proporcionam sentimentos de felicidade e satisfação a curto prazo, mas esse efeito positivo tende a se dissipar mais rapidamente. A pesquisa reforça que a busca dessas recompensas pode ser prejudicial ao bem-estar, o que pode resultar em comportamentos de risco comprometedores para a saúde.

Quem quiser ler a pesquisa completa em inglês pode clicar aqui. As explicações acima foram traduções quase literais do texto. Não precisa muito esforço para encaixar as vítimas (criadores e participantes) do jogo Baleia Azul no grupo de estímulo cerebral de recompensas voltadas para o prazer autocentrado. Afinal, por mais absurdo que seja para quem está de fora, para o participante deve existir algum prazer em pertencer a um grupo, e ter alguém observando suas ações e recompensando cada tarefa concluída.

Esta pesquisa é uma ótima oportunidade para as escolas incluírem mais ações sociais em suas atividades. Saiam fora das salas de aula, já que sua estrutura também já está ultrapassada e não dá para ficar de costas escrevendo a giz na lousa enquanto seus jovens observam o celular, e depois fotografam o que foi escrito. Digo mais, os empregadores estão interessados em pessoas altruístas, que ajudam o próximo e a sociedade em geral. Estimulem positivamente o cérebro de nossos adolescentes! Aliás a pesquisa vale para todos.

Devo destacar aqui um nicho público que antes desta pesquisa já incluía na grade curricular ações de cidadania: o Centro Paula Souza. Infelizmente eu não estava mais na adolescência quando fiz ETEC, teria prevenido muitos males, mas participei de ações em prol da comunidade muito boas e edificantes. Outro fator importante foi essa mistura, eu não era mais adolescente, mas fiz parte da mesma sala com uma dezena deles e outros bem mais velhos que eu. Relações humanas muito saudáveis! Uma instituição que deu certo no Brasil, especialmente em São Paulo foi o CEETPS!

Para quem tem netos, filhos, sobrinhos, é melhor não pagar para ver se a depressão vai se manifestar apenas na fase adulta, onde teoricamente temos mais maturidade para buscar ajuda (sabemos que não é fácil), mas também tem muito pouca gente interessada em ajudar. Somos responsáveis pelos nossos jovens.

sábado, 15 de abril de 2017

As oportunidades não acontecem?

As oportunidades não acontecem, você as cria”. Essa frase foi citada pelo chef e fotógrafo do Arizona Chris Grosser. Não consegui identificar o contexto onde foi aplicada a frase, mas lendo-a isoladamente, embora ela esteja no ranking de frases motivacionais da internet não concordo muito com ela.

A palavra oportunidade vem do nome do Deus Romano Portunus, e está relacionado ao termo porto, que é a passagem entre o mar e a terra firme, a porta de entrada da cidade para os navegantes. Oportuno era o vento favorável que empurrava para o porto. Mantendo a figura, um marinheiro que quisesse navegar para determinada cidade deveria aguardar a oportunidade de que os ventos fossem favoráveis à sua navegação. De nada adiantaria içar as velas em direção à cidade se os ventos estivessem contrários. Que tipo de oportunidade mágica poderia ser criada nesta situação? Por mais que possam existir embarcações com uma tecnologia mais avançada (não entendo nada de modernidade marítima), certamente foram melhorias adquiridas pelo senso de oportunidade, ou seja, mais uma vez a adaptabilidade a uma condição existente e não o contrário.

Partindo para terra firme, quem está na lista dos desempregados a espera de uma oportunidade de emprego, também não deve ficar muito motivado ao ler a frase de Grosser tendo seus diplomas pendurados na parede, suas experiências anteriores relacionadas num currículo ao lado do seu segundo idioma e um pilha de cadastros em anúncios sem retorno e entrevistas recusadas. A fórmula da frase sugere o que? Não espere a oportunidade de emprego crie uma microempresa e contrate seus colegas de entrevista. Simples assim?

Claro que tem muita gente nessa fila esperando o mundo acabar em barrancos para morrer encostado. Currículo cheio de cursos incompletos, hibernando longos 10 anos de experiência na carreira júnior, envia cadastro para as empresas com o currículo no corpo do e-mail e sai das entrevistas sem pedir feedback pois está certo que o problema era da entrevistadora. São casos a parte. A grande maioria está no caminho certo, possuem objetivos sólidos, estão se preparando continuamente, mas a oportunidade não aparece.

Só para finalizar, imaginemos um funcionário de uma empresa que identificou que no seu próprio cargo existem formas melhores de se executar a mesma tarefa, mas muitas vezes implica em uma substituição tecnológica (a empresa utiliza tecnologias obsoletas no mercado), ou mesmo uma forma diferente de conduzir uma rotina, onde precisaria de mais tempo e espaço além do habitual. Ambas as situações precisariam que os chefes imediatos comprassem a ideia e lhe dessem a oportunidade de agir como tal. Nada de diferente poderia ser criado fora do momento oportuno.

"Aproveite as oportunidades que a vida lhe oferece. Encontre os oásis em seus desertos.
Os perdedores veem os raios.
Os vencedores veem a chuva e com ela a oportunidade de cultivar".

Augusto Cury


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Reforma da Previdência e Big Brother Brasil

Viralizou na última semana nas  redes sociais uma mensagem de indignação pública relacionando o programa Big Brother Brasil a Reforma Previdenciária:


"Votos para BBB 112 milhões em 48horas...
Votos contra a Reforma da Previdência menos de 2 milhões... Em dois meses
Entendem porque estamos nessa situação, alienação total.
Copie e cole....POVO OMISSO É BRASILEIRO"

Bom, li isso algumas vezes até que fiquei curiosa sobre o seu fundamento. Afinal, eu não assisto BBB para saber a quantidade de votos por hora de um paredão e eu também não votei contra a Reforma da Previdência. Aliás onde está ou esteve disponível para votação pública a decisão da Reforma Previdenciária? Em lugar nenhum.


Qualquer causa que tenha os canais do Twitter, Site oficial e SMS para votação, terá um número de participações maior que uma causa que nem aberta a votação pública está. Não é nenhuma particularidade do Big Brother Brasil.


Fiquei pensando de onde saíram esses 2 milhões em dois meses da mensagem. Ocorreram manifestações públicas contra a reforma. Duvido que se a decisão do paredão do BBB dependesse de manifestações participaria alguém além dos familiares mais próximos ou quem estivesse disposto a aparecer  na Globo. E olhe lá! Manifestação não é voto. 


Existem também algumas iniciativas de abaixo assinado pela causa, mas exatamente por serem movimentos dispersos também não têm chance de atingir os mesmos resultados do reality, mesmo que sejam somados no final. 


Os interessados, se já não receberam links por mensagem, procurem no Google e escolha uma vertente, ou para ser lógico participe de todos, pelo menos vai fazer volume de assinatura de todos os lados. Mas consideremos o fato de que nem todos vão buscar todos os movimentos disponíveis para assinar.


Logo a mensagem é muito sem sentido e incoerente. Os votos do BBB não implicam em omissão do povo pela Reforma da Previdência simplesmente por que nada tem a ver os alhos com os bugalhos.