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domingo, 6 de outubro de 2019

Alpinismo de Carreira

Querer crescer na carreira em curto ou longo espaço de tempo pelas vantagens financeiras, sem medir suas próprias capacidades, ou sem entender a diferença de perfil técnico para perfil de gestão pode gerar um problema pior que o salário inferior.

Não me recordo onde, mas em algum livro talvez, li em outras palavras que a caminho do cume do Everest se encontram os corpos de vários otimistas que acharam que boa vontade era suficiente para escalar o tão ambicionado ponto mais alto da montanha.

Mas se no Everest ninguém consegue cortar caminho e ser alçado por forças maiores ao seu objetivo, na vida empresarial a sabedoria da natureza nem sempre é seguida. Chegar lá, em algum posto mais alto que o anterior, às vezes é mais fácil que deveria, mas aí entra o desafio de manter-se lá e executar um trabalho digno do cargo, e aí? As consequências são inevitáveis.

A vida é uma via de mão dupla, ou o reconhecimento demora muito, ou vem rápido quando não deveria. Para aqueles que tem o reconhecimento empacado sobra a desmotivação de ver reconhecidas rapidamente quem não tem metade da sua experiência ou vantagem evidente, para aqueles que tiveram reconhecimento precipitado, fica a vergonha de não ter experiência, ou se não vergonha, a certeza de que seu potencial está aquém do cargo, então sobra o que? Pedir para sair ou não dar o braço a torcer da própria incompetência e ficar insistindo nos velhos erros.

Estava outro dia conversando com uma colega do trabalho, ela perguntou onde eu pretendia chegar, ou quais eram meus planos, e eu lhe disse que eu não tenho perfil de gestão. Admito. Ela se espantou. É natural, na escala hierárquica de uma empresa ir escalando degraus, operacional ou chão de fábrica, analista júnior, pleno, sênior, supervisão, coordenação, gerência, diretoria, etc. No atual cenário, não me vejo acima do sênior. O que já acho uma grande conquista na minha história de vida.

No curso de administração era comum o exemplo do lojista que promoveu seu melhor vendedor, e em consequência ganhou um péssimo gerente. Como também aprendi na graduação de Gestão de Pessoas (ou Recursos Humanos) que cada degrau da escala profissional possui perfis que precisam ser considerados, parece óbvio, mas na prática não é.

Por essa e por outras, eu sei que não tenho perfil para liderança formal. Talvez isso mude um dia, mas agora não. Um líder, em qualquer nível, precisa ter controle emocional, não pode descarregar em seus subordinados teus próprios medos e dificuldades. Um líder precisa ter força e sabedoria. Hierarquia não é sinônimo de potencial. Definitivamente eu não tenho, ainda, perfil para lidar com o emocional de uma equipe quando eu sei que estou aprendendo a lidar com as minhas próprias emoções. Um pouco de bom senso não faz mal a ninguém.