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sábado, 30 de junho de 2018

Qual é a tua obra?

Certa vez recebi uma provocação positiva de uma colega do trabalho. "Qual é a tua obra?"- ela disse. E completou: "tua obra não é o que você tem feito". Disse ilustrando algo de nossa rotina. Naquela ocasião tínhamos participado de uma palestra que era pautada na obra do Mario Sergio Cortella, de mesmo nome que esse post. Já tinha lido o livro, mas nada me tocou mais que aquela pergunta certeira.

Lembro, que quando fui promovida na empresa, e ainda estava me enturmando com as pessoas, acabava indo almoçar com o mesmo grupo, e lá estava essa mesma colega, que eu não conhecia ainda. Ela me irritava muito, implicando com as saladas de frutas que eu comprava, pois para ela eram caras, e ficava calculando quanto eu gastava por mês comprando uma salada por dia!

No trabalho, no entanto, passei a admirá-la, apesar de irritante, ela era uma profissional magnífica em quem eu decidi me espelhar. Existia um costume muito legal lá na área de votar no funcionário do mês, e eu sempre votava nela, e justificava com satisfação e anonimato minha opinião. Variei umas duas vezes (acho) o voto. 

Apesar disso, nunca fomos próximas. Havia uma barreira invisível entre nós duas; um ranço, uma aparente incompatibilidade de gênios. Continuei por um tempo reativa a minha própria cisma misturada com admiração sem nunca me questionar porque daquilo. Até que a circunstância nos colocou sentadas lado a lado. E sem nenhum esforço passamos a nos enxergar sem vendas, ali no perrengue do dia a dia, ouvindo as conversas uma da outra, meus monólogos internos, trocando figurinhas, de repente descobrimos uma afinidade.

Nesse momento eu já tinha assistido e aplaudido duas promoções dela, e ela estava numa fase de crescimento e desenvolvimento pessoal contagiante. Por isso a provocação dela sobre a minha obra incomodou. Não de forma negativa, ao contrário. Gerou uma insatisfação por não saber com tanta clareza qual era essa obra, e por isso mesmo não poder fazer nada. 

Para piorar minha frustração essa minha colega decidiu sair da empresa, abraçou uma oportunidade maior e foi trabalhar em outro lugar. Chorei feito uma condenada na sua despedida, pensei: e agora quem continuará me cutucando e me afirmando? A mesma pessoa indireta e diretamente me deu os melhores exemplos e feedbacks que já recebi num ambiente de trabalho. Ela era daquelas que exerciam liderança sem precisar de crachá. 

Hoje eu me sinto parte do legado dela lá na empresa. Muito do que eu não faço, eu penso no  puxão de orelha que ela me daria se ainda estivesse ali ao meu lado. Precisei de um tapa na cara maior para decidir mudar o rumo. Ainda não consigo mensurar, nem ilustrar as mudanças, mas em breve, quem sabe, poderei noticiar a minha obra. A partir de agora o cenário será outro, e como disse Cortella, no livro, "Mudar é complicado, sem dúvida, mas acomodar é perecer".

PS: Escrevo esse post pelo celular (estou sem PC!) por pura insistência dessa criatura a quem eu fiz o favor de anunciar que dedicaria um post. T.S. esse é para você.

Atualização de 13/04/2019: Ela voltou! Estamos trabalhando na mesma equipe de novo! Embora ela esteja numa função melhor que a anterior e a empresa esteja mudando os rumos. Descobri qual é a minha obra? Talvez, mas aprendi com a própria Talita que nossos sonhos mais caros ao coração devem ser compartilhado com poucos. Bem vinda ao novo cenário!

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Eu não votei no vice?

Ao contrário do conceito do esporte, onde o vice é o segundo melhor colocado no quadro de medalhas, na pontuação, no número de gols, resumindo é uma vaga que passou raspando do primeiro lugar, na política o vice não precisa se esforçar em nada para ganhar o seu posto, basta torcer que o candidato principal seja eleito e, se quiser governar, torcer para que o mesmo morra, renuncie ou sofra um impeachment. Convenhamos é um cargo meio macabro que existe desde 1891, foi extinto pelo período e 1934 a 1946, e voltou a existir até hoje.

Falando de presidência, a Wikipédia relata a existência de oito vice-presidentes que assumiram a presidência dentro desse período, sendo o último o atual (...) Michel Temer do PMDB. Oito ocorrências é pouco para o povo assimilar a utilidade do cargo. Coisa que se questiona muito é que o candidato foi eleito sem voto, mas acredito que isso não seja coisa para se contestar só depois que o cidadão assume a vaga, há séculos que o esquema é desta forma, quem votou no candidato X votou no vice do candidato, logo ele foi - parafraseando Arnaldo Cezar Coelho: a regra é clara - eleito pelos votos que deram vitória ao candidato X. Se a regra está errada ou certa, é outra questão.

Só refletimos a relevância desse posto quando ele precisa ser reivindicado, e quando não é por causa de morte aí começa o disse-me-disse, golpe, cargo ilegítimo, eleito sem votos, e coisa e tal e tal e coisa, como diria Rita Lee. O fato é que em todas as eleições votadas até hoje (seja presidência, prefeitura, governo) eu votei no vice, porque é assim que acontece. Usando uma metáfora do esporte, o vice sempre ganha por tabela...

sábado, 13 de maio de 2017

A culpa não é da Marisa

Exatamente um dia após o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sergio Moro ocorrido no dia 10 de Maio de 2017, onde a principal repercussão foi o fato do mesmo ter envolvido o nome de sua falecida esposa Marisa Letícia nos relatos sobre as negociações do Triplex do Guarujá, a rede varejista de Lojas Marisa lançou uma campanha publicitária para o Dia da Mães nas redes sociais.

A campanha usou a seguinte tirada: “Se sua mãe ficar sem presente a culpa não é da Marisa” e para completar ofereceu uma promoção de 20% de desconto + frete grátis para compras pelo site. Como não podia deixar de ser, a campanha gerou polêmica, muitos amaram, outros odiaram e responderam em seus comentários que é falta de respeito, mau gosto, pessoas falando que iam cancelar o cartão da loja e boicotar a marca, a postagem nas redes virou um cenário de bate-boca político, daqueles nada criativos do tipo os de esquerda são burros e os de direita são coxinhas, que parecem copiado e colado de alguma outra crítica a manifestações semelhantes em outro fórum.

“Existem dois caminhos básicos para reter uma mensagem na memória do consumidor: pela emoção – ou você o emociona -, e pela diversão – ou você o diverte. Na verdade, o melhor de tudo é quando se quebram as regras: você precisa resistir ao que é comum, previsível, esperado”. Roberto Justus, 2006. Considerando que raiva e revolta também são emoções, e para os simpatizantes da campanha foi divertido o apelo seguiu os dois caminhos. Foi um senso de oportunidade rápido. Os publicitários aproveitaram que o nome Marisa estava em alta e sutilmente associou a sua marca de mesmo nome à ideia principal da polêmica: a culpa. Pode ser que a empresa tenha arriscado demais, pois entrou num campo minado onde é tudo 8 ou 80, e a parte desgostosa pode (ou não) se dedicar a causar prejuízos, e a parte satisfeita pode não ter comprado nada na loja apesar de tudo.

Avaliando as campanhas da TV das principais redes de moda feminina, uma delas também tentou usar um tema bem polêmico e só percebi de qual loja se tratava depois de ter passado por uma delas e achado os preços muito caros para o momento, além de vê-la catando moscas em relação à própria Marisa, C&A e Riachuelo. Refiro-me as Lojas Renner, que apostou numa criança refletindo sobre mãe, se de repente a mesma queria que ele tivesse outro papai ou outra mamãe. Apelaram para a homossexualidade e se esqueceram de falar do principal, o seu produto, suas roupas, suas ofertas.

A C&A apostou na ideia de mãe não é tudo igual, e colocou várias modelos bem diferentes fisicamente umas das outras com a música de fundo “Certo ou Errado”. Assunto também em pauta, diversidade, direitos femininos. A Riachuelo pegou o mesmo tema, o empoderamento feminino. Estrelada pela funkeira Ludmilla, com uma versão de sua própria música “Sou Eu”.

A campanha da Marisa apostou na imagem da mulher como mãe. Estrelada pela atriz Tania Khalill e suas duas filhas Isabella e Laura, a campanha utilizou a linguagem da web com as hashtags #voudemarisa #partiupresentes. Mostra as filhas, roupas da Marisa, um bolo caseiro e a realidade doméstica de uma mãe jovem, linda, poderosa, e trouxe a ideia dos filhos presenteando a mãe.

Achei pertinente, pois as empoderadas podem comprar na loja independe da data, mas para o dia das mães faz mais sentido o presentear dos filhos e não a autogratificação, até por que comercialmente falando é mais vantajoso que uma mãe receba presentes de mais de um filho do que de si mesma apenas. A campanha da Renner que tinha o filho não mostrava os presentes e a que mostrava os presentes não tinha filhos. Exceto a da Marisa. Mais um ponto para os publicitários da marca!