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sábado, 18 de março de 2017

Delação Premiada


Delação premiada virou moda no judiciário, e os principais delatados são políticos e os principais delatores os empresários que financiaram os políticos. Já pensou se delação premiada vira modinha nas empresas também? Como seria se todas as ações ilícitas insufladas por alguém de crachá, que evidentemente não aparece na cena, mas que põe seus funcionários laranja para representar, viriam a ser descobertas se um sujeito qualquer com poder para tal desse a oportunidade para uma delação “premiada”. Nunca antes na história do país um dedo duro foi tão bem recompensado, mas o Brasil entraria em colapso se o cenário privado copiasse o modelo público.

Assim como acidentes de avião, demissões também acontecem. É a crise! Fazer o que?

Talvez uma diferença que vale atenção é que a delação premiada é uma forma de proteger o delator que também está envolvido até as tampas no caso, mas por abrir o jogo ganha algumas vantagens. Numa empresa o único que se sentiria desejoso de delatar alguém seria exatamente aquele que caiu de gaiato na trama, e não tinha nada a ver com a história. Para isso mesmo ele foi envolvido, para pagar o pato. Igual ao Corinthians: demorou, mas no final acabou pagando o Pato!*


*Alusão irônica a venda do passe do jogador Alexandre Pato para o Villarreal em 2016.

sábado, 4 de março de 2017

O Mistério das Bermudas

Não, não me refiro ao Triângulo das Bermudas!

Desde os tempos em que o Jornal Nacional era apresentado por Cid Moreira e Sergio Chapelin e o mito de que os jornalistas usavam bermuda por trás da bancada, existe um burburinho em torno desta peça de vestuário no local de trabalho. Lembrando que o boato da bancada do JN ocorreu por volta dos anos 80 a 90.

Aí chegamos no século XXI e a moderna empresa americana Google virou referência no modelo casual de seu ambiente de trabalho e no vestuário dos colaboradores. Um dos lemas da empresa é “você pode ser sério sem usar terno” é um mantra das novas empresas que estão mudando suas culturas nesse sentido.

Em nenhum lugar achei a associação de não usar terno com usar bermuda, mas recentemente vi um alarde sobre isso nas redes sociais se referindo à mudança de cultura da empresa Gerdau. Entre as mudanças do ambiente físico sem paredes dividindo salas por hierarquia, realidade presente também no ambiente da holding brasileira Alelo, horários flexíveis e Wi-fi livre, a Gerdau apostou na permissão do uso de bermudas.

Muitos sindicatos inclusive estão lutando para dar esse “direito” aos trabalhadores. É isso mesmo produção! Querem institucionalizar o uso de bermudas no ambiente de trabalho. Fico me perguntando onde surgiu essa ideia de que a vestimenta interfere na qualidade do trabalho ou na competência da pessoa. Dá para ser sério sem terno, e ser patético com terno. Tanto faz. O fato é que está se criando um estigma negativo sobre o vestuário social “estilo banco” que pouco tem a ver com a capacidade de trabalho do ser humano.

O máximo de vantagem é para quem sente muito calor, mas particularmente me sinto mais a vontade com social e salto alto, embora minhas competências funcionem de forma idêntica com qualquer roupa que eu estiver usando. Dizem que o ambiente informal estimula as pessoas a dizerem a verdade. Só se for “nossa como sua perna é fina!”. Piadas a parte, o hábito de falar a verdade depende mais do caráter do que da vestimenta.

Será que William Bonner seria um melhor editor chefe do JN se levantasse da sua bancada de bermuda para falar da previsão do tempo com a Maju? Para quem tá com tempo é um caso a se pensar.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Dá um trocado?

Num passado não muito distante, podia associar a frase “Dá um trocado” à rotina de um pedinte de rua. Hoje em dia tem comerciante assaltando chapéu de mendigo em busca de moedas! A situação está tão crítica que tem loja perdendo a venda para não perder o troco.

Fui há algumas semanas comprar um objeto barato, R$ 2,00 era o preço. Eu só tinha uma nota de R$ 20,00 para pagar. Quando mostrei minha nota a vendedora parecia que estava vendo o coisa ruim; me olhou com cara de “pelo amor de Deus me dê uma moeda” e respondeu sem que que eu pudesse raciocinar: “Não troca não moça”. Não questionei, nem me dei ao trabalho de procurar um trocado na minha bolsa, tamanha má vontade daquela infeliz.

Esse lugar era um comércio no centro da cidade e, no entanto, os responsáveis têm um pensamento bastante primitivo. Para ilustrar o que quero dizer, lembro-me de outra situação, onde levei alguns sapatos para consertar numa sapataria humilde, num bairro isolado da cidade. Seu Joaquim um senhorzinho idoso, cabelo bem branquinho e sua esposa, num local simples cuidavam da netinha especial enquanto consertavam sapatos. Deixei os sapatos de um dia para o outro e quando fui buscar ocorreu algo semelhante ao caso anterior, uma nota sem troco.

Nesse dia só estava a senhorinha e a neta, quando viu que não teria troco ela pediu-me para aguardar que ela ia na vizinhança conseguir troco. E ali fiquei fazendo companhia para a netinha especial que fazia guizos e sorria de longe. Até que a senhora voltou com meu troco, entregou os sapatos prontos e impecáveis e se despediu com uma educação ímpar.

Não precisa ter CNPJ nem placa estampada com nome bonito para prestar um serviço de qualidade. Não sou banco central para ficar fornecendo moeda, sou consumidora e quero meu direito de pagar pelos produtos que me disponibilizam para venda! Se eu estivesse com disposição eu citaria naquela situação o art. 39, IX do Código de Defesa do Consumidor, que diz que é prática abusiva “recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamente a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento”, mas meu humor não estava muito amigável.

Sai dali e tratei de trocar meus R$ 20,00 em outro estabelecimento, senão teria que pagar o ônibus com ele, e ai provavelmente eu teria que voltar a pé para casa.