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domingo, 29 de janeiro de 2017

Estude!

A menos que você queira ser um dos 70 maiores bilionários do Brasil ou Presidente da República, acho melhor seguir meu conselho: Estude!

Há mais de 20 anos ter curso superior era luxo. Muitos gastavam todas suas energias para passar numa Fuvest da vida, na tão sonhada USP, quase que a única possibilidade pública de formação superior em São Paulo. Desses mesmos vinte anos para cá, curso superior virou Commodities, bolsa de estudos ficou fácil de conseguir, mensalidades relativamente mais fáceis de pagar. Por isso mesmo o mercado de trabalho mudou de perfil.

Na descrição de várias vagas de emprego um dos principais pré-requisitos é a formação superior. Muitos de nossos pais com mais de 40 anos de carreira não teriam conseguido o mesmo emprego nos dias de hoje por não terem formação. Isso não é o problema. As coisas mudaram. Passando de largo pelas redes sociais vemos nomes usados como exemplos de empreendedorismo reforçando que alguns não possuíam ensino superior ou não concluíram.

Um deles foi o dono da marca Zara, Amâncio Ortega que deixou de estudar aos 13 anos para trabalhar e hoje concorre com Bill Gates no ranking de empresário mais rico do mundo. Bill Gates por sua vez interrompeu a faculdade no terceiro ano de Direito e Matemática. Mas Bill deixou a Universidade de Harvard. “Um ano em Harvard equivale a 30 anos em algumas Uni-esquinas que temos aqui no Brasil ou pelo mundo afora” (Cortella, 2013). E o último da vez Eike Batista, sabe-se que ele iniciou em 1974 a faculdade de Engenharia Metalúrgica, mas não achei registros de até onde ele foi com o curso, só o Brasil agora descobriu que ele não terminou.

O que quero dizer é que não é mérito nenhum ter vencido sem estudar. Não adianta postar fotos dessas personalidades se gabando por eles não terem concluído um curso superior e estarem afortunados. Tente reproduzir os seus feitos! Comece procurando um emprego e dando de cara com um dos pré-requisitos da vaga: Formação Superior, e o segundo: Experiência. É seu primeiro emprego e não tem experiência? Tenha formação, mas procure outra vaga porque para essa precisa dos dois requisitos juntos. Nem tente argumentar com o selecionador que Amâncio Ortega, Bill Gates e Eike Batista não precisaram de nada disso...

Sim, todos eles começaram trabalhando. Ok, Eike Batista era filho do ex-presidente da Vale do Rio Doce e seu primeiro emprego (Corretor de Seguros) nem o Ortega conseguiria hoje porque exige Ensino Médio Completo. Mas se você não tem pai rico e poderoso e se enquadra entre os que abandonaram a faculdade, aproveita as poucas funções sem muita exigência acadêmica. Daqui há 40 anos te vejo na capa da Forbes.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Manifesto: Faça o que tem que ser feito

Li recentemente num capítulo de um livro que faz parte do conteúdo teórico de um curso de formação de analistas de processos, um texto bastante chocante pela empatia que tenho pela ideia do seu autor.

Neste blog já falei muito sobre incêndios, método, mas nesse texto que menciono Gart Capote consolida em seu manifesto tudo que representa tanto “barulho mental” que me aflige:

"Não é possível acreditar e aceitar que fazer o que sempre fizemos nos conduzirá a novos e melhores resultados.

É deveras atordoante ouvir de analistas, consultores, gestores e de outros profissionais das mais diversas funções organizacionais, que muito não poderá ser feito, pois a direção da organização não entende e nem percebe o valor de BPM ou, no caso de organizações públicas, que não adianta lutar por certas mudanças, afinal, o que prevalecerá é a pressão ou a vontade política.

Isso é Conformismo.

Toda vez que ouço declarações desse tipo, imediatamente imagino o modelo mental de quem as profere. Sempre digo que a maior mudança ou inovação não é, necessariamente, a mudança ou a inovação tecnológica, mas sim, a mudança de comportamento e mentalidade.

Os profissionais de processos, especificamente os simpatizantes e praticantes de Gerenciamento de Processos de Negócio – BPM, precisam assumir a responsabilidade de promover a mudança – a inovação da mudança de mentalidade.

Não basta alcançar certificações técnicas e titulações das mais variadas, o que precisamos – realmente – é aprender a dizer NÃO. Dizer NÃO para propostas escusas, projetos mirabolantes que lesam a sociedade, escopos mal elaborados, trabalhos sem objetivos, produtos e serviços que ferem nossos princípios e os direitos de outros.

Nossa sociedade (mundialmente pensando), que está cada vez mais carente de valores e propósitos, precisa dar um basta imediato em todos os problemas que até agora temos “dado com os ombros”. Ao continuar agindo assim, só passamos para a próxima geração a responsabilidade de resolver, se revoltar, resolver... Desistir.

Os profissionais que trabalham com melhoria e gestão de processos são responsáveis diretos pelos resultados dos processos por eles melhorados e/ou geridos. Sei que é mais fácil negar e/ou compartilhar a culpa. Mas, se não assumirmos a responsabilidade, nada mudará.

Pense nos processos organizacionais como elementos vitais, não apenas para a organização em si, mas para a sociedade como um todo. 

Pense na importância de um processo com a mesma intensidade que percebemos o valor da água em nosso planeta".

O texto completo você lê aqui

Para mim não existe nada mais gratificante do que atuar na área de processos. O problema é o que o autor falou por mim.

"Profissional de Processos - Faça o que a sociedade precisa que seja feito".

domingo, 8 de janeiro de 2017

Aposentadoria

Analisando as últimas notícias da Fórmula 1 deparei-me com o anúncio curioso sobre a aposentadoria do piloto Nico Rosberg. Nunca acompanhei a F1, no auge do esporte para o Brasil, na Era Airton Senna, eu era muito criança e lembro vagamente. Depois passei a acompanhar de relance a carreira do alemão Michael Schumacher muito por causa das brincadeiras em relação às vitórias sobre Rubinho Barrichello.

No entanto, enquanto eu estava me achando nova demais para me interessar pelo assunto o garoto Nico Rosberg dali a alguns anos após a morte de Senna em 2003, com 18 anos começava sua carreira de piloto e tinha um propósito em mente: Queria se tornar campeão mundial de F1 e isso estava muito claro em sua mente. Segundo suas próprias palavras em entrevista.

E assim o também alemão, brilhantemente chegou ao seu objetivo e pode enfim em 2016 anunciar a sua aposentadoria da carreira de piloto aos 31 anos de idade. Agora nos voltemos para a realidade abaixo da linha do Equador. Onde o jovem que começa a trabalhar aos 18 anos pode pensar em se aposentar após os próximos 60 anos, e se nesse intervalo ficou algum tempo sem contribuir com o INSS pode jogar a aposentadoria para gozar na eternidade.

Claro que o cálculo é ajustado de acordo com a expectativa de vida que está aumentando. E algumas carreiras permitem o encerramento mais rápido como a própria F1 e o Futebol, por exemplo. Mas nas profissões da grande maioria do povo imaginar a data da aposentadoria está tão difícil que é melhor nem tentar.

Nossos pais e avós podiam trabalhar e pensar no dia da aposentadoria, e chegamos a vê-los chegar ao tão sonhado descanso. Também vimos àqueles que se aposentaram e continuaram trabalhando, pois os recursos não eram aquilo que imaginavam! Daqui para frente o filho que assistir seus pais se aposentarem verá um momento histórico.

Nico Rosberg se daria bem por aqui abaixo, pois ele tinha algo que poucos brasileiros sabem o que é: propósito. Ele começou a carreira determinado a ganhar um título de campeão do mundo e todos os seus esforços foram direcionados para esta conquista. Nem todos precisam querer ser um campeão do mundo, mas é verdade que muitos nem sabe o que querem e por isso mesmo se sujeitam a qualquer coisa. Muitos ainda falam da aposentadoria apenas repetindo o discurso que ouviram de seus pais sem perceber que a realidade é outra.

Não dá para trabalhar contando com aposentadoria.