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domingo, 16 de outubro de 2016

Feedback

Quem nunca recebeu um feedback monólogo? E quem já rebateu tudo que estava sendo dito pelo interlocutor? Ambas as situações são bem corriqueiras; esta última, porém, merece um pouco de atenção.

“Você rebate tudo que eu falo”. Quem já ouviu esta frase deve se preocupar, quem a ouviu mais de uma vez, pede pra sair! Já diria o Capitão Nascimento. A questão aqui é de forma e não de conteúdo. Rebater não é o problema, mas deve ser feito de um modo que possa ser chamado de argumento. Qual a diferença? Nenhuma na teoria. É igual a diferença entre pano e tecido.

Argumentar é após ouvir tudo o que foi dito, tecer uma linha de raciocínio utilizando as próprias palavras do interlocutor e sutilmente acrescentar um ponto em sua defesa, se for o caso. Rebater é apenas utilizar os pontos em sua defesa.

Poderíamos dizer que é desnecessário repetir, pois o mesmo sabe o que foi dito. Mas o fazemos por uma questão psicológica. Basta nos colocarmos não na posição de quem recebe o feedback, mas de quem dá. Você esclarece determinados pontos, critica alguns, sugere outros. A pessoa a sua frente apenas rebate, justifica-se, às vezes com razão, mas isso gera um atrito, pois dá a entender que ela não está dando credibilidade ao seu ponto de vista.

Agora, se a mesma te ouve, faz uma breve síntese do seu relato, apresentando assim sua antítese – o ponto contrário à ideia principal surge outro cenário. Ambos delinearam seu papel no mesmo patamar, cada um domina a técnica em seu personagem, são atores principais e coadjuvantes reciprocamente.

Não que o feedback seja uma farsa, mas o mundo corporativo é meio teatral, e as negociações giram em torno dos mais variados estados de humor, e das mais diversas inteligências, e somente com uma dose de encenação, desde que fundamentada, com bagagem e know-how para que alcançar sucesso. E se soubermos filtrar e ensaiar num feedback individual, já é um bom começo.

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