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sábado, 4 de fevereiro de 2017

Malandramente

Há não muito tempo quando ouvia o termo politicamente correto, entendia como algo certo dentro dos padrões morais aceitáveis. Depois passou a ser algo pejorativo, o cidadão politicamente correto era o “certinho” e não o correto, ou melhor, era o cara que pensava dentro da caixa, e por isso mesmo estava contra a correnteza da sociedade. O seu certo já não era mais o único padrão aceitável. Hoje politicamente correto não é nem uma coisa nem outra que mencionei acima. Se focar apenas o termo “politicamente” o novo conceito praticamente se auto explica. Eureka! Já diria Arquimedes de Siracusa.

Quem já assistiu a uma sessão do senado, ou da câmara, das mais acaloradas, onde os digníssimos tratam-se por vossa excelência, quando, por si estariam xingando-se até a vigésima geração de suas mães, entende o que é o politicamente correto. Quem já assistiu há de concordar o quão patético são estas cenas e esses vocabulários, quanta falsidade é apresentada naquele ambiente, mas é a mais bela demonstração de que aqueles homens e mulheres honram o título de políticos. Fazem uma coisa e pensam outra, não que fosse melhor eles agredirem-se como quereriam. Dá para ser educado sem ser dissimulado. 

Saindo um pouco dessa realidade que não nos representa (...) o correto politicamente falando também se enquadra no malandro. O malandro é o político em fase embrionária, é o esperto que atua fora dos palanques, nas escolas, universidades, empresas. Malandramente ele escolhe o prático e não o certo, até descobrirem que algo deu errado ele já ganhou as glórias e o aperto de mão do gerente; depois alguém pega para concertar.

Malandramente ele reforça em seus discursos para os outros evitarem os erros que ele mesmo comete, mesmo porque ninguém faz alarde dos seus erros, e para todos os efeitos estão rolando avisos públicos em seu nome da forma correta de se fazer. Que prenda! Quem vê de longe até tem como exemplo e comemora suas vitórias. Quanto reconhecimento!

Na política ele almeja a presidência, na escola almeja o cargo de líder da classe, ou no máximo a confiança necessária para garantir que seu nome sempre estará estampado em trabalhos que nunca fez. Na empresa ele almeja o cargo se sênior, quando não merece nem o pleno. Age como se estivesse fazendo uma coisa, quando na verdade está fazendo outra. Tudo isso lhe parece correto, é a estratégia ideal que o leva aos seus objetivos. E de fato leva. Mas a que preço? 

Na definição de James. C. Hunter: "Caráter é o compromisso de fazer o melhor, mesmo quando você não deseja". Os objetivos serão alcançados, mais cedo ou mais tarde, num ambiente ou no outro, para uns de modo mais fácil, agindo malandramente, para outros não. A velocidade das conquistas dependerá da força do caráter somada a medida do trabalho.

Suas ações viram seus hábitos, que viram seu caráter, que vira seu destino”.

sábado, 19 de novembro de 2016

Liderar é servir

Quem leu a trilogia de O Monge e o Executivo de James C. Hunter conhece a enfadonha, embora até certo ponto verdadeira definição sobre liderança: “a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir objetivos comuns, inspirando confiança por meio da força do caráter”. Trocando em miúdos diz que liderar é servir.

O importante é servir: servir de trouxa ou não servir para nada ainda é um tipo de serventia. Sarcasmos à parte, o tema liderança está tão desgastado que não se sabe mais a sua utilidade. Na prática nos quatro cantos do mundo vemos a atuação de verdadeiros chefes, o bom e velho boss e muito pouco do líder. Na prática a teoria é outra, como o próprio livro abordou, ao voltar ao mosteiro no terceiro livro, o personagem principal era um frustrado por não ter conseguido praticar nada do que aprendera em sua primeira visita ao monge sabichão.

Se o autor o levasse ao mosteiro nos próximos vinte volumes seria bem possível que o próprio Simeão, o monge, chegasse a conclusão de que suas aulas eram inúteis. Freud explica! As definições podem ser as melhores, mais elaboradas, fascinantes e até coerentes. Mas ela esbarra em algo também previsto pelo autor, que é o caráter humano, a personalidade, os valores. Isso não há academia de liderança que forme.

Falha de caráter muitas vezes nos faz pensar em corrupção, em desvios de conduta, falta de virtude. Mas algumas das falhas de caráter também pode ser a fragilidade, falta de pulso, o despreparo. Isso também impede o exercício de fazer as escolhas certas. Autoajuda, psicoterapia, oração, talvez ajude. O fato é que não é possível determinar uma fórmula de liderança quando falamos de lidar com seres humanos, não somente no talento para influenciar, como na receptividade do influenciado. A história nos mostra que não existe líder unânime.