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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Sua Excelência Roberto Jefferson!

Existe um texto na internet do Palestrante Mario Persona, publicado na ocasião do depoimento de Roberto Jefferson para o Conselho de Ética do Mensalão, que explica com inteligência a personificação do “ser político” na figura do presidente do PTB. O texto chamado O que aprendi com Roberto Jefferson traz com riqueza de detalhes os dons de comunicação e oratória do deputado, recomendo a leitura. 

Sempre achei “Boby Jeff” espetacular, no mesmo sentido apresentado pelo autor, ou seja, um sujeito que sabe o que fala, independente da verdade ou não do seu conteúdo. Quando o Mensalão teve seu boom e a mídia trouxe essa figura exótica à tona, esse homem me chamou atenção em meio aquele bando de políticos senso comum. Até o Maluf que conseguiu se reeleger após o seu discurso do “rouba, mas faz”, perde feio para o Boby. 

Posso desconfiar o que muitos pensam sobre o que é ser político. No entanto, dependendo de quem usa o termo soa meio estranho. Diante do professor Boby, qualquer um que pretenda agir politicamente não passa de um cínico, espertinho metido a besta, que no segundo discurso sobre o mesmo assunto se contradiz e não sabe mais amarrar o seu próprio enredo; sai do ritmo da própria dança quando a luz acende; ridiculariza, menospreza ou diminui o próximo para se manter “acima” das circunstâncias. 

Já que saber dar um somebodylove é pré-requisito de sobrevivência neste mundo (corporativo ou não) vamos pelo menos aprender com as pessoas certas! Não basta ser esperto, é fundamental ser inteligente. Até que se tenha inteligência e treino adequado, acho muito pouco prudente querer agir politicamente. Não é o tipo de coisa que basta seguir um conselho, senão corremos o risco de sermos criaturas patéticas, encenando e nos achando um máximo por convencer uma maioria de espertinhos. Até esbarrar com uma minoria de inteligentes...

Geralmente essa maioria de espertinhos não apita nada, não influencia em nada, e não vai te ajudar a evoluir na vida, nem na carreira. Em massa fazem um pouco de barulho, mas diante do inteligente e sagaz serão os primeiros a virarem a casaca. Acho válido o esforço de aprender a se comunicar com as pessoas, ser convincente independente do que esteja realmente pensando em relação ao que está a sua volta, saber argumentar com verdades, chamar as autoridades de excelência mesmo que preferisse tratá-las como mereceriam (aqui soa muito falso, mas é acertado). Mas repito, é questão de treino. Tenhamos senso do ridículo! Se não tem os argumentos certos, fale a verdade ou cale-se. Pode doer, mas sua alma vai ficar tranquila, e seu caráter a salvo.

No Conselho de Ética do Mensalão, Roberto Jefferson era da minoria inteligente diante de um monte de espertinhos políticos sedentos por sua queda. Saíram todos com o rabinho entre as pernas, pois mesmo admitindo as suas culpas, e depois sendo preso e tudo mais (no histórico da novela) nunca antes na história do país um canastrão foi tão autêntico e admirável.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Malandramente

Há não muito tempo quando ouvia o termo politicamente correto, entendia como algo certo dentro dos padrões morais aceitáveis. Depois passou a ser algo pejorativo, o cidadão politicamente correto era o “certinho” e não o correto, ou melhor, era o cara que pensava dentro da caixa, e por isso mesmo estava contra a correnteza da sociedade. O seu certo já não era mais o único padrão aceitável. Hoje politicamente correto não é nem uma coisa nem outra que mencionei acima. Se focar apenas o termo “politicamente” o novo conceito praticamente se auto explica. Eureka! Já diria Arquimedes de Siracusa.

Quem já assistiu a uma sessão do senado, ou da câmara, das mais acaloradas, onde os digníssimos tratam-se por vossa excelência, quando, por si estariam xingando-se até a vigésima geração de suas mães, entende o que é o politicamente correto. Quem já assistiu há de concordar o quão patético são estas cenas e esses vocabulários, quanta falsidade é apresentada naquele ambiente, mas é a mais bela demonstração de que aqueles homens e mulheres honram o título de políticos. Fazem uma coisa e pensam outra, não que fosse melhor eles agredirem-se como quereriam. Dá para ser educado sem ser dissimulado. 

Saindo um pouco dessa realidade que não nos representa (...) o correto politicamente falando também se enquadra no malandro. O malandro é o político em fase embrionária, é o esperto que atua fora dos palanques, nas escolas, universidades, empresas. Malandramente ele escolhe o prático e não o certo, até descobrirem que algo deu errado ele já ganhou as glórias e o aperto de mão do gerente; depois alguém pega para concertar.

Malandramente ele reforça em seus discursos para os outros evitarem os erros que ele mesmo comete, mesmo porque ninguém faz alarde dos seus erros, e para todos os efeitos estão rolando avisos públicos em seu nome da forma correta de se fazer. Que prenda! Quem vê de longe até tem como exemplo e comemora suas vitórias. Quanto reconhecimento!

Na política ele almeja a presidência, na escola almeja o cargo de líder da classe, ou no máximo a confiança necessária para garantir que seu nome sempre estará estampado em trabalhos que nunca fez. Na empresa ele almeja o cargo se sênior, quando não merece nem o pleno. Age como se estivesse fazendo uma coisa, quando na verdade está fazendo outra. Tudo isso lhe parece correto, é a estratégia ideal que o leva aos seus objetivos. E de fato leva. Mas a que preço? 

Na definição de James. C. Hunter: "Caráter é o compromisso de fazer o melhor, mesmo quando você não deseja". Os objetivos serão alcançados, mais cedo ou mais tarde, num ambiente ou no outro, para uns de modo mais fácil, agindo malandramente, para outros não. A velocidade das conquistas dependerá da força do caráter somada a medida do trabalho.

Suas ações viram seus hábitos, que viram seu caráter, que vira seu destino”.

domingo, 16 de outubro de 2016

Programas Sociais

Não sou muito adepta do assunto política, seja a ideologia sociológica da matéria, seja sua aplicação real da forma como vem sendo feita. Mas, algumas questões, ou todas, devem ser refletidas com atenção, com senso crítico, para que não fiquemos a mercê dos pronunciamentos públicos dos governantes, como verdades inquestionáveis.

Bater panela e não ouvir nada é uma boa saída, pois é melhor não ouvir nada, do que ouvir e acreditar. Quando o assunto é obras do governo, programas sociais, bem aventurança municipal, estadual ou federal, uma coisa é clara: fundos financeiros do governo são arrecadados por meio das contas e impostos que pagamos e dos recursos naturais explorados da biodiversidade do nosso país. Dentre todos os programas sociais criados o de bolsas de estudos, acredito, seja a melhor iniciativa, visto que a educação é a chave para uma civilização que pretende se desenvolver.

FIES, ProUni, SISU, Escola da Família, são programas que geram retorno, devolvem pessoas qualificadas para o mercado de trabalho, pessoas capacitadas para gerar renda, racionalizando. Talvez se existisse mais bolsas de estudos, existiria menor necessidade de Bolsa Família. Bolsa Família é um dinheiro que não gera retorno. Ele é financiado com dinheiro pago por contas e impostos, e é utilizado para pagar contas e impostos, sem margem de lucro.

Os estudantes que pagam Universidade acham que os bolsistas estudam de graça. Ora! Sua família unida com certeza arrecadou o suficiente para que o governo banque seus estudos, afinal é para isso que serve o governo, para administrar os bens públicos. Outro fator diferencial, particularmente do ProUni e SISU é o Enem, que é composto por dois dias de provas exaustivamente complexas ao passo que os Vestibulares de Universidades Privadas são piadas!

Se falta verba certamente não é por falta de arrecadação, pois não é algo facultativo, é imposto. O problema fundamental é excesso de promessas, improbidade administrativa, desinteresse. O Governo não dá nada de graça para ninguém, até o salário dos governantes somos nós que pagamos. Eles representam a voz da maioria. O que estas vozes têm dito


Esse texto foi compartilhado no Jornal de Jundiaí.