Há não muito tempo quando ouvia o termo politicamente correto, entendia como algo certo dentro dos padrões morais aceitáveis. Depois passou a ser algo pejorativo, o cidadão politicamente correto era o “certinho” e não o correto, ou melhor, era o cara que pensava dentro da caixa, e por isso mesmo estava contra a correnteza da sociedade. O seu certo já não era mais o único padrão aceitável. Hoje politicamente correto não é nem uma coisa nem outra que mencionei acima. Se focar apenas o termo “politicamente” o novo conceito praticamente se auto explica. Eureka! Já diria Arquimedes de Siracusa.
Quem já assistiu a uma sessão do senado, ou da câmara, das mais acaloradas, onde os digníssimos tratam-se por vossa excelência, quando, por si estariam xingando-se até a vigésima geração de suas mães, entende o que é o politicamente correto. Quem já assistiu há de concordar o quão patético são estas cenas e esses vocabulários, quanta falsidade é apresentada naquele ambiente, mas é a mais bela demonstração de que aqueles homens e mulheres honram o título de políticos. Fazem uma coisa e pensam outra, não que fosse melhor eles agredirem-se como quereriam. Dá para ser educado sem ser dissimulado.
Saindo um pouco dessa realidade que não nos representa (...) o correto politicamente falando também se enquadra no malandro. O malandro é o político em fase embrionária, é o esperto que atua fora dos palanques, nas escolas, universidades, empresas. Malandramente ele escolhe o prático e não o certo, até descobrirem que algo deu errado ele já ganhou as glórias e o aperto de mão do gerente; depois alguém pega para concertar.
Malandramente ele reforça em seus discursos para os outros evitarem os erros que ele mesmo comete, mesmo porque ninguém faz alarde dos seus erros, e para todos os efeitos estão rolando avisos públicos em seu nome da forma correta de se fazer. Que prenda! Quem vê de longe até tem como exemplo e comemora suas vitórias. Quanto reconhecimento!
Na política ele almeja a presidência, na escola almeja o cargo de líder da classe, ou no máximo a confiança necessária para garantir que seu nome sempre estará estampado em trabalhos que nunca fez. Na empresa ele almeja o cargo se sênior, quando não merece nem o pleno. Age como se estivesse fazendo uma coisa, quando na verdade está fazendo outra. Tudo isso lhe parece correto, é a estratégia ideal que o leva aos seus objetivos. E de fato leva. Mas a que preço?
Na definição de James. C. Hunter: "Caráter é o compromisso de fazer o melhor, mesmo quando você não deseja". Os objetivos serão alcançados, mais cedo ou mais tarde, num ambiente ou no outro, para uns de modo mais fácil, agindo malandramente, para outros não. A velocidade das conquistas dependerá da força do caráter somada a medida do trabalho.
“Suas ações viram seus hábitos, que viram seu caráter, que vira seu destino”.
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