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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Copo meio cheio

A teoria do copo meio cheio diz que se um copo está com água pela metade o ponto de vista positivo seria considerá-lo meio cheio e o negativo meio vazio. O meio vazio dá a entender que pode continuar esvaziando, sugere escassez, o meio cheio ao contrário sugere abundância, vai continuar a encher.

Não sou pessimista, mas percebo que a expressão “pense positivo” carrega uma crença meio tola da realidade. Contra todos os fatos negativos, fica sempre alguém na ilusão do positivismo. Existe um provérbio português mais antigo do que essa onda positiva new age que diz que “contra fatos não há argumentos”.

Sempre que alguém aponta os fatores negativos de algo logo é criticado e reorientado com a velha teoria. Quando na verdade a intenção é prever os impactos que diante de uma boa análise dos fatos será inevitável, principalmente se for ignorada e não tratada.

O copo meio cheio sugere que com a mesma proporção com que ele pode esvaziar ele pode continuar enchendo, só que ao continuar enchendo ele pode chegar a outro termo popular que é o da gota d’água, ou seja, a derradeira gota que transborda o copo. O fato crítico que supera os limites da tolerância.

Por essa perspectiva a escassez do copo meio vazio consome menos água (tempo, sofrimento, esforço) do que o copo meio cheio capaz de transbordar. Diante do contexto, tratava-se de um risco previsto e não considerado. Não adianta olhar para um copo cheio pela metade sem saber o que aconteceu para que chegasse ali. O copo estava furado? Alguém estava bebendo? Está há tanto tempo ali que estava evaporando? Sem crítica sobre os fatos o otimismo não leva a nada.

Copo meio vazio: se consumir esvazia.

Copo meio cheio: se não consumir e continuar enchendo transborda

Copo meio cheio / copo meio vazio: se não consumir vira foco da dengue.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Malandramente

Há não muito tempo quando ouvia o termo politicamente correto, entendia como algo certo dentro dos padrões morais aceitáveis. Depois passou a ser algo pejorativo, o cidadão politicamente correto era o “certinho” e não o correto, ou melhor, era o cara que pensava dentro da caixa, e por isso mesmo estava contra a correnteza da sociedade. O seu certo já não era mais o único padrão aceitável. Hoje politicamente correto não é nem uma coisa nem outra que mencionei acima. Se focar apenas o termo “politicamente” o novo conceito praticamente se auto explica. Eureka! Já diria Arquimedes de Siracusa.

Quem já assistiu a uma sessão do senado, ou da câmara, das mais acaloradas, onde os digníssimos tratam-se por vossa excelência, quando, por si estariam xingando-se até a vigésima geração de suas mães, entende o que é o politicamente correto. Quem já assistiu há de concordar o quão patético são estas cenas e esses vocabulários, quanta falsidade é apresentada naquele ambiente, mas é a mais bela demonstração de que aqueles homens e mulheres honram o título de políticos. Fazem uma coisa e pensam outra, não que fosse melhor eles agredirem-se como quereriam. Dá para ser educado sem ser dissimulado. 

Saindo um pouco dessa realidade que não nos representa (...) o correto politicamente falando também se enquadra no malandro. O malandro é o político em fase embrionária, é o esperto que atua fora dos palanques, nas escolas, universidades, empresas. Malandramente ele escolhe o prático e não o certo, até descobrirem que algo deu errado ele já ganhou as glórias e o aperto de mão do gerente; depois alguém pega para concertar.

Malandramente ele reforça em seus discursos para os outros evitarem os erros que ele mesmo comete, mesmo porque ninguém faz alarde dos seus erros, e para todos os efeitos estão rolando avisos públicos em seu nome da forma correta de se fazer. Que prenda! Quem vê de longe até tem como exemplo e comemora suas vitórias. Quanto reconhecimento!

Na política ele almeja a presidência, na escola almeja o cargo de líder da classe, ou no máximo a confiança necessária para garantir que seu nome sempre estará estampado em trabalhos que nunca fez. Na empresa ele almeja o cargo se sênior, quando não merece nem o pleno. Age como se estivesse fazendo uma coisa, quando na verdade está fazendo outra. Tudo isso lhe parece correto, é a estratégia ideal que o leva aos seus objetivos. E de fato leva. Mas a que preço? 

Na definição de James. C. Hunter: "Caráter é o compromisso de fazer o melhor, mesmo quando você não deseja". Os objetivos serão alcançados, mais cedo ou mais tarde, num ambiente ou no outro, para uns de modo mais fácil, agindo malandramente, para outros não. A velocidade das conquistas dependerá da força do caráter somada a medida do trabalho.

Suas ações viram seus hábitos, que viram seu caráter, que vira seu destino”.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Estude!

A menos que você queira ser um dos 70 maiores bilionários do Brasil ou Presidente da República, acho melhor seguir meu conselho: Estude!

Há mais de 20 anos ter curso superior era luxo. Muitos gastavam todas suas energias para passar numa Fuvest da vida, na tão sonhada USP, quase que a única possibilidade pública de formação superior em São Paulo. Desses mesmos vinte anos para cá, curso superior virou Commodities, bolsa de estudos ficou fácil de conseguir, mensalidades relativamente mais fáceis de pagar. Por isso mesmo o mercado de trabalho mudou de perfil.

Na descrição de várias vagas de emprego um dos principais pré-requisitos é a formação superior. Muitos de nossos pais com mais de 40 anos de carreira não teriam conseguido o mesmo emprego nos dias de hoje por não terem formação. Isso não é o problema. As coisas mudaram. Passando de largo pelas redes sociais vemos nomes usados como exemplos de empreendedorismo reforçando que alguns não possuíam ensino superior ou não concluíram.

Um deles foi o dono da marca Zara, Amâncio Ortega que deixou de estudar aos 13 anos para trabalhar e hoje concorre com Bill Gates no ranking de empresário mais rico do mundo. Bill Gates por sua vez interrompeu a faculdade no terceiro ano de Direito e Matemática. Mas Bill deixou a Universidade de Harvard. “Um ano em Harvard equivale a 30 anos em algumas Uni-esquinas que temos aqui no Brasil ou pelo mundo afora” (Cortella, 2013). E o último da vez Eike Batista, sabe-se que ele iniciou em 1974 a faculdade de Engenharia Metalúrgica, mas não achei registros de até onde ele foi com o curso, só o Brasil agora descobriu que ele não terminou.

O que quero dizer é que não é mérito nenhum ter vencido sem estudar. Não adianta postar fotos dessas personalidades se gabando por eles não terem concluído um curso superior e estarem afortunados. Tente reproduzir os seus feitos! Comece procurando um emprego e dando de cara com um dos pré-requisitos da vaga: Formação Superior, e o segundo: Experiência. É seu primeiro emprego e não tem experiência? Tenha formação, mas procure outra vaga porque para essa precisa dos dois requisitos juntos. Nem tente argumentar com o selecionador que Amâncio Ortega, Bill Gates e Eike Batista não precisaram de nada disso...

Sim, todos eles começaram trabalhando. Ok, Eike Batista era filho do ex-presidente da Vale do Rio Doce e seu primeiro emprego (Corretor de Seguros) nem o Ortega conseguiria hoje porque exige Ensino Médio Completo. Mas se você não tem pai rico e poderoso e se enquadra entre os que abandonaram a faculdade, aproveita as poucas funções sem muita exigência acadêmica. Daqui há 40 anos te vejo na capa da Forbes.