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sábado, 26 de novembro de 2016

Chama o bombeiro!

Caos, correria, sufoco, incêndio, são alguns dos termos mais ouvidos quando o assunto é trabalho. Seja qual for, estamos todos com a síndrome de Usain Bolt “na correria” ou com a ligeira sensação que a qualquer momento alguém vai gritar: chama o bombeiro! Se bem que no assunto correria, estamos muito longe de conseguir uma medalha de ouro, e também não adianta chamar o bombeiro enquanto tiver bastante gente para apagar os focos de incêndio esporádicos e poucas para preveni-lo.

Incêndio nas gírias dos escritórios são aquelas crises que surgem e precisam de um tratamento, um paliativo, qualquer coisa que minimize os impactos. Stephen R. Covey em seu best seller Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, propôs uma matriz de gerenciamento do tempo, onde considera os incêndios como atividade quadrante I - Importante e Urgente.




As pessoas altamente eficazes devem focar nas atividades de quadrante II - Importantes e Não Urgentes, aprendizado, planejamento, atividades de longo prazo, fatores que tendem a alimentar o know-how de atividades preventivas para evitar que elas venham a incendiar. O caos é formado por falhas nos processos, situações, circunstâncias as quais não foi dada a devida atenção prévia, possivelmente por que estavam apagando outros incêndios. 

A diferença ente o corpo de bombeiros e os escritórios é que os bombeiros atuam em equipes para apagar o mesmo foco de incêndio. Nos escritórios cada membro da equipe atua para apagar sozinho dois ou três focos diferentes. O incidente que os bombeiros tratam é real e específico, o dos escritórios quase sempre são déficit estratégico e recorrentes ou muitas vezes é tratado como importante e urgente sem realmente ser.

A intensidade e frequência desses acontecimentos dá a falsa sensação de utilidade, orgulho de se matar de tanto trabalhar, mas que age em prol da falta de eficácia. Trabalha para recuperar os produtos entregues no endereço errado, ao invés de trabalhar para que os entregadores saiam com o mapa do endereço certo. Não é um hábito eficaz imaginar que enquanto existir trabalho mal feito, existirá emprego para alguém poder tratar a calamidade. A eficácia não pode conviver com a miopia analítica. 

sábado, 19 de novembro de 2016

Liderar é servir

Quem leu a trilogia de O Monge e o Executivo de James C. Hunter conhece a enfadonha, embora até certo ponto verdadeira definição sobre liderança: “a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir objetivos comuns, inspirando confiança por meio da força do caráter”. Trocando em miúdos diz que liderar é servir.

O importante é servir: servir de trouxa ou não servir para nada ainda é um tipo de serventia. Sarcasmos à parte, o tema liderança está tão desgastado que não se sabe mais a sua utilidade. Na prática nos quatro cantos do mundo vemos a atuação de verdadeiros chefes, o bom e velho boss e muito pouco do líder. Na prática a teoria é outra, como o próprio livro abordou, ao voltar ao mosteiro no terceiro livro, o personagem principal era um frustrado por não ter conseguido praticar nada do que aprendera em sua primeira visita ao monge sabichão.

Se o autor o levasse ao mosteiro nos próximos vinte volumes seria bem possível que o próprio Simeão, o monge, chegasse a conclusão de que suas aulas eram inúteis. Freud explica! As definições podem ser as melhores, mais elaboradas, fascinantes e até coerentes. Mas ela esbarra em algo também previsto pelo autor, que é o caráter humano, a personalidade, os valores. Isso não há academia de liderança que forme.

Falha de caráter muitas vezes nos faz pensar em corrupção, em desvios de conduta, falta de virtude. Mas algumas das falhas de caráter também pode ser a fragilidade, falta de pulso, o despreparo. Isso também impede o exercício de fazer as escolhas certas. Autoajuda, psicoterapia, oração, talvez ajude. O fato é que não é possível determinar uma fórmula de liderança quando falamos de lidar com seres humanos, não somente no talento para influenciar, como na receptividade do influenciado. A história nos mostra que não existe líder unânime.

domingo, 13 de novembro de 2016

Teoria do Um

A 'Teoria do Um' vem resgatar os processos do seu legado de ramificações, gargalos, às vezes verdadeiros becos sem saída, advindo da divisão do trabalho histórica. Algumas teorias da administração concordaram com a importância da divisão do trabalho para assegurar a eficiência das atividades. O todo era dividido em tantas etapas quanto possíveis e cada funcionário trata de uma, especializando-se assim naquele ponto da atividade, executando de forma mais ágil e consequentemente produzindo mais, principalmente em quantidade. Quanto à qualidade no cenário atual é um caso a se pensar.

Na economia industrial dos séculos XIX e XX quando Taylor, Fayol e Weber abriam os cenários de estudo da administração, fazia mais sentido esse pensamento segregado das atividades. Na era da tecnologia global, não é mais efetivo manter o capital humano da organização na execução de uma única atividade, sem ao menos dar a ele a noção de qual é o todo, o objetivo do negócio, ainda que a ação completa não fique sob sua responsabilidade.

Em seu livro Guia para Formação de Analistas de Processos, Gart Capote cita o termo ‘Teoria do Um’, Acredito que não seja nenhuma teoria formal, devido à ausência de referência no livro, mas é um conceito válido: “Podemos entregar o resultado do processo em uma única etapa, utilizando um único recurso, com uma única atividade em um único momento? Não? Então adicionaremos mais um passo... Esse é o conceito essencial da ‘Teoria do Um’” (2ª Ed, 2015). O autor chama atenção ao vício legado da distribuição do trabalho, das atividades “quebradas” pelo simples costume, sem a avaliação correta sobre a necessidade dessa intermediação no processo. 

Ao analisar os processos (As is) realmente é muito comum encontrarmos cotovelos desnecessários, criados não somente pela especialização dos “recursos” quanto pela burocracia, ou conceitos de segurança avaliados fora do conjunto das necessidades do negócio. Ao mesmo tempo, e paradoxalmente, também vemos um cenário de aglomeração de tarefas num mesmo recurso, tendo como premissa de avaliação de capacidade apenas a quantidade de pessoas para executar a tarefa e não a sua especialização. E dependendo da atividade um treinamento operacional não resolve, exatamente por que o escopo da atividade é analítico.

Estamos saindo do cenário de vários especialistas em diversas atividades que formam o todo, para um executor do todo que não é especializado em nada, porém continua subjugado ao tempo de execução, qualidade, e diversas outras formas de avaliação individual que não eram percebidas quando o mesmo processo era dividido em múltiplos outros. E esse mesmo executor ainda possui vários outros processos para executar, dominar e atingir os objetivos do negócio.

O melhor para o processo pode caber dentro do "um", mas para implantar o melhor processo de negócio, é necessário outras estratégias (como infra, segurança, negociações comerciais) que fogem da alçada da análise do processo, e muitas vezes o inviabiliza.