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domingo, 6 de outubro de 2019

Alpinismo de Carreira

Querer crescer na carreira em curto ou longo espaço de tempo pelas vantagens financeiras, sem medir suas próprias capacidades, ou sem entender a diferença de perfil técnico para perfil de gestão pode gerar um problema pior que o salário inferior.

Não me recordo onde, mas em algum livro talvez, li em outras palavras que a caminho do cume do Everest se encontram os corpos de vários otimistas que acharam que boa vontade era suficiente para escalar o tão ambicionado ponto mais alto da montanha.

Mas se no Everest ninguém consegue cortar caminho e ser alçado por forças maiores ao seu objetivo, na vida empresarial a sabedoria da natureza nem sempre é seguida. Chegar lá, em algum posto mais alto que o anterior, às vezes é mais fácil que deveria, mas aí entra o desafio de manter-se lá e executar um trabalho digno do cargo, e aí? As consequências são inevitáveis.

A vida é uma via de mão dupla, ou o reconhecimento demora muito, ou vem rápido quando não deveria. Para aqueles que tem o reconhecimento empacado sobra a desmotivação de ver reconhecidas rapidamente quem não tem metade da sua experiência ou vantagem evidente, para aqueles que tiveram reconhecimento precipitado, fica a vergonha de não ter experiência, ou se não vergonha, a certeza de que seu potencial está aquém do cargo, então sobra o que? Pedir para sair ou não dar o braço a torcer da própria incompetência e ficar insistindo nos velhos erros.

Estava outro dia conversando com uma colega do trabalho, ela perguntou onde eu pretendia chegar, ou quais eram meus planos, e eu lhe disse que eu não tenho perfil de gestão. Admito. Ela se espantou. É natural, na escala hierárquica de uma empresa ir escalando degraus, operacional ou chão de fábrica, analista júnior, pleno, sênior, supervisão, coordenação, gerência, diretoria, etc. No atual cenário, não me vejo acima do sênior. O que já acho uma grande conquista na minha história de vida.

No curso de administração era comum o exemplo do lojista que promoveu seu melhor vendedor, e em consequência ganhou um péssimo gerente. Como também aprendi na graduação de Gestão de Pessoas (ou Recursos Humanos) que cada degrau da escala profissional possui perfis que precisam ser considerados, parece óbvio, mas na prática não é.

Por essa e por outras, eu sei que não tenho perfil para liderança formal. Talvez isso mude um dia, mas agora não. Um líder, em qualquer nível, precisa ter controle emocional, não pode descarregar em seus subordinados teus próprios medos e dificuldades. Um líder precisa ter força e sabedoria. Hierarquia não é sinônimo de potencial. Definitivamente eu não tenho, ainda, perfil para lidar com o emocional de uma equipe quando eu sei que estou aprendendo a lidar com as minhas próprias emoções. Um pouco de bom senso não faz mal a ninguém. 
 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Quem vê além da venda é rei

Vender bem não é fácil. Todos nós precisamos em algum momento da vida vender alguma coisa, nem que seja a si mesmo... falo de marketing pessoal e não de “vender o corpinho”, que é uma gíria corrente no mundo corporativo, mas recomendo que não passe de brincadeira. E que maravilha é quando nós consumidores, geralmente com pouco tempo disponível encontramos aquele vendedor que te atende como se você fosse o cliente mais importante da loja!

Eu acostumada a ver o vendedor arrastar a arara de roupas que eu estava olhando, ou ser laçada na calçada quando estava apenas olhando a vitrine, ou ainda ser seguida sorrateiramente por um funcionário como se estivesse suspeitando que eu ia furtar o lugar, certa vez, entrei numa loja para comprar um calçado específico. Não me recordo se já tinha entrado ali antes, mas aquela experiência foi a melhor.

Espiei a vitrine atrás do que procurava – desta vez dentro da loja já - um rapaz veio me atender, gentil ao extremo, perguntou como podia me ajudar, expliquei o que queria e qual era a situação em que eu iria usar. Infelizmente, na vitrine não tinha nada que me agradasse, então o vendedor foi oferecendo opções - várias opções - do estoque, fiquei na loja um bom tempo na esperança de sair de lá com meu calçado, mas nada feito. Sai de lá sem comprar nada, mas muito bem impressionada com a postura daquele vendedor, sua educação, simpatia. Saí decidida a voltar lá e comprar com ele tão logo precisasse de outro calçado.

Pode até ser que ao sair na primeira vez sem levar nada ele tenha me chamado de Caroço, Forma "N", não sei. Mas gostei daquele vendedor porque ele focou em sanar a minha necessidade. Sem comentários desnecessários, sondagem de cunho pessoal, sem errar a numeração do calçado solicitado, nem me apresentar algo muito fora do que eu estava procurando. Ele teve atenção ao que eu precisava, o que acabou me levando até lá em quase todas as minhas outras necessidades nos últimos tempos. Ele só não se deu melhor porque não sou daquelas que tem mais pares de calçados que lugar para guardar!

As poucas ocasiões que fui nesta mesma loja e não fui atendida por ele, não gostei do atendimento. Tenho o péssimo problema de comparar o profissionalismo das pessoas, e quando o padrão de referência é elevado complica. Bom seria ter mais casos semelhantes para contar, ou que este comportamento fosse a regra e não a exceção. Como disse o palestrante Mario Persona: “Vender é criar uma experiência de satisfação na mente dos clientes” e não são todos os vendedores que são preparados ou tem o dom de proporcionar experiências.

P.S: Para quem interessar possa, o nome do Vendedor é Alisson, a loja é a Esperança Calçados - Praça Juvenal Hartmann, 77 - Centro, Francisco Morato – SP.

sábado, 30 de junho de 2018

Qual é a tua obra?

Certa vez recebi uma provocação positiva de uma colega do trabalho. "Qual é a tua obra?"- ela disse. E completou: "tua obra não é o que você tem feito". Disse ilustrando algo de nossa rotina. Naquela ocasião tínhamos participado de uma palestra que era pautada na obra do Mario Sergio Cortella, de mesmo nome que esse post. Já tinha lido o livro, mas nada me tocou mais que aquela pergunta certeira.

Lembro, que quando fui promovida na empresa, e ainda estava me enturmando com as pessoas, acabava indo almoçar com o mesmo grupo, e lá estava essa mesma colega, que eu não conhecia ainda. Ela me irritava muito, implicando com as saladas de frutas que eu comprava, pois para ela eram caras, e ficava calculando quanto eu gastava por mês comprando uma salada por dia!

No trabalho, no entanto, passei a admirá-la, apesar de irritante, ela era uma profissional magnífica em quem eu decidi me espelhar. Existia um costume muito legal lá na área de votar no funcionário do mês, e eu sempre votava nela, e justificava com satisfação e anonimato minha opinião. Variei umas duas vezes (acho) o voto. 

Apesar disso, nunca fomos próximas. Havia uma barreira invisível entre nós duas; um ranço, uma aparente incompatibilidade de gênios. Continuei por um tempo reativa a minha própria cisma misturada com admiração sem nunca me questionar porque daquilo. Até que a circunstância nos colocou sentadas lado a lado. E sem nenhum esforço passamos a nos enxergar sem vendas, ali no perrengue do dia a dia, ouvindo as conversas uma da outra, meus monólogos internos, trocando figurinhas, de repente descobrimos uma afinidade.

Nesse momento eu já tinha assistido e aplaudido duas promoções dela, e ela estava numa fase de crescimento e desenvolvimento pessoal contagiante. Por isso a provocação dela sobre a minha obra incomodou. Não de forma negativa, ao contrário. Gerou uma insatisfação por não saber com tanta clareza qual era essa obra, e por isso mesmo não poder fazer nada. 

Para piorar minha frustração essa minha colega decidiu sair da empresa, abraçou uma oportunidade maior e foi trabalhar em outro lugar. Chorei feito uma condenada na sua despedida, pensei: e agora quem continuará me cutucando e me afirmando? A mesma pessoa indireta e diretamente me deu os melhores exemplos e feedbacks que já recebi num ambiente de trabalho. Ela era daquelas que exerciam liderança sem precisar de crachá. 

Hoje eu me sinto parte do legado dela lá na empresa. Muito do que eu não faço, eu penso no  puxão de orelha que ela me daria se ainda estivesse ali ao meu lado. Precisei de um tapa na cara maior para decidir mudar o rumo. Ainda não consigo mensurar, nem ilustrar as mudanças, mas em breve, quem sabe, poderei noticiar a minha obra. A partir de agora o cenário será outro, e como disse Cortella, no livro, "Mudar é complicado, sem dúvida, mas acomodar é perecer".

PS: Escrevo esse post pelo celular (estou sem PC!) por pura insistência dessa criatura a quem eu fiz o favor de anunciar que dedicaria um post. T.S. esse é para você.

Atualização de 13/04/2019: Ela voltou! Estamos trabalhando na mesma equipe de novo! Embora ela esteja numa função melhor que a anterior e a empresa esteja mudando os rumos. Descobri qual é a minha obra? Talvez, mas aprendi com a própria Talita que nossos sonhos mais caros ao coração devem ser compartilhado com poucos. Bem vinda ao novo cenário!

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Eu não votei no vice?

Ao contrário do conceito do esporte, onde o vice é o segundo melhor colocado no quadro de medalhas, na pontuação, no número de gols, resumindo é uma vaga que passou raspando do primeiro lugar, na política o vice não precisa se esforçar em nada para ganhar o seu posto, basta torcer que o candidato principal seja eleito e, se quiser governar, torcer para que o mesmo morra, renuncie ou sofra um impeachment. Convenhamos é um cargo meio macabro que existe desde 1891, foi extinto pelo período e 1934 a 1946, e voltou a existir até hoje.

Falando de presidência, a Wikipédia relata a existência de oito vice-presidentes que assumiram a presidência dentro desse período, sendo o último o atual (...) Michel Temer do PMDB. Oito ocorrências é pouco para o povo assimilar a utilidade do cargo. Coisa que se questiona muito é que o candidato foi eleito sem voto, mas acredito que isso não seja coisa para se contestar só depois que o cidadão assume a vaga, há séculos que o esquema é desta forma, quem votou no candidato X votou no vice do candidato, logo ele foi - parafraseando Arnaldo Cezar Coelho: a regra é clara - eleito pelos votos que deram vitória ao candidato X. Se a regra está errada ou certa, é outra questão.

Só refletimos a relevância desse posto quando ele precisa ser reivindicado, e quando não é por causa de morte aí começa o disse-me-disse, golpe, cargo ilegítimo, eleito sem votos, e coisa e tal e tal e coisa, como diria Rita Lee. O fato é que em todas as eleições votadas até hoje (seja presidência, prefeitura, governo) eu votei no vice, porque é assim que acontece. Usando uma metáfora do esporte, o vice sempre ganha por tabela...

sábado, 13 de maio de 2017

A culpa não é da Marisa

Exatamente um dia após o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sergio Moro ocorrido no dia 10 de Maio de 2017, onde a principal repercussão foi o fato do mesmo ter envolvido o nome de sua falecida esposa Marisa Letícia nos relatos sobre as negociações do Triplex do Guarujá, a rede varejista de Lojas Marisa lançou uma campanha publicitária para o Dia da Mães nas redes sociais.

A campanha usou a seguinte tirada: “Se sua mãe ficar sem presente a culpa não é da Marisa” e para completar ofereceu uma promoção de 20% de desconto + frete grátis para compras pelo site. Como não podia deixar de ser, a campanha gerou polêmica, muitos amaram, outros odiaram e responderam em seus comentários que é falta de respeito, mau gosto, pessoas falando que iam cancelar o cartão da loja e boicotar a marca, a postagem nas redes virou um cenário de bate-boca político, daqueles nada criativos do tipo os de esquerda são burros e os de direita são coxinhas, que parecem copiado e colado de alguma outra crítica a manifestações semelhantes em outro fórum.

“Existem dois caminhos básicos para reter uma mensagem na memória do consumidor: pela emoção – ou você o emociona -, e pela diversão – ou você o diverte. Na verdade, o melhor de tudo é quando se quebram as regras: você precisa resistir ao que é comum, previsível, esperado”. Roberto Justus, 2006. Considerando que raiva e revolta também são emoções, e para os simpatizantes da campanha foi divertido o apelo seguiu os dois caminhos. Foi um senso de oportunidade rápido. Os publicitários aproveitaram que o nome Marisa estava em alta e sutilmente associou a sua marca de mesmo nome à ideia principal da polêmica: a culpa. Pode ser que a empresa tenha arriscado demais, pois entrou num campo minado onde é tudo 8 ou 80, e a parte desgostosa pode (ou não) se dedicar a causar prejuízos, e a parte satisfeita pode não ter comprado nada na loja apesar de tudo.

Avaliando as campanhas da TV das principais redes de moda feminina, uma delas também tentou usar um tema bem polêmico e só percebi de qual loja se tratava depois de ter passado por uma delas e achado os preços muito caros para o momento, além de vê-la catando moscas em relação à própria Marisa, C&A e Riachuelo. Refiro-me as Lojas Renner, que apostou numa criança refletindo sobre mãe, se de repente a mesma queria que ele tivesse outro papai ou outra mamãe. Apelaram para a homossexualidade e se esqueceram de falar do principal, o seu produto, suas roupas, suas ofertas.

A C&A apostou na ideia de mãe não é tudo igual, e colocou várias modelos bem diferentes fisicamente umas das outras com a música de fundo “Certo ou Errado”. Assunto também em pauta, diversidade, direitos femininos. A Riachuelo pegou o mesmo tema, o empoderamento feminino. Estrelada pela funkeira Ludmilla, com uma versão de sua própria música “Sou Eu”.

A campanha da Marisa apostou na imagem da mulher como mãe. Estrelada pela atriz Tania Khalill e suas duas filhas Isabella e Laura, a campanha utilizou a linguagem da web com as hashtags #voudemarisa #partiupresentes. Mostra as filhas, roupas da Marisa, um bolo caseiro e a realidade doméstica de uma mãe jovem, linda, poderosa, e trouxe a ideia dos filhos presenteando a mãe.

Achei pertinente, pois as empoderadas podem comprar na loja independe da data, mas para o dia das mães faz mais sentido o presentear dos filhos e não a autogratificação, até por que comercialmente falando é mais vantajoso que uma mãe receba presentes de mais de um filho do que de si mesma apenas. A campanha da Renner que tinha o filho não mostrava os presentes e a que mostrava os presentes não tinha filhos. Exceto a da Marisa. Mais um ponto para os publicitários da marca!

sábado, 29 de abril de 2017

5 Desafios que um profissional tímido precisa enfrentar

Se trabalhar exigisse apenas habilidades técnicas seria o mundo perfeito para muitos tímidos de plantão, que em muitos casos seriam os candidatos preferidos à muitas oportunidades profissionais que hoje passam longe deles justamente porque não são vistos. Mas existem algumas situações que, dependendo do cargo, fatalmente ocorrerão na luta por uma vaga e no ambiente do trabalho e que vale estar preparado para enfrentar:

1 - Dinâmicas e Entrevista de Emprego


Não tem jeito, uma boa empresa em seu processo seletivo vai submetê-lo a dinâmicas e entrevistas. Você pode ler uma centena de artigos para tentar prever o que será avaliado, mas você nunca saberá o que de fato foi considerado sem perguntar. Mas se você gaguejou ao falar, riu demais ou de menos, tremeu, teve o famoso “branco” ou lembrou-se de tudo que planejou falar só depois que o processo acabou, calma, não é o fim do mundo! Aconteceu com você e mais um terço dos participantes. Pense que existe algo que te diferencia e que te faz merecer aquela vaga independentemente da sua dificuldade pontual na seleção.

Não desanime na primeira tentativa. Peça feedback e trabalhe o ponto em que foi reprovado. Se for um processo interno pode ser que você faça vários processos com o mesmo selecionador e pareça marcação pessoal, sugiro que não perca tempo com essa teoria, e também não considere aqueles comentários dos colegas em volta que afirmam que só foi promovido quem tinha pistolão, que não adianta tentar de novo, enfim. Discurso deprimente que não soma. Claro que existe este tipo de situações em muitos lugares, e nem todos concordam que a pessoa indicada é a mais adequada à vaga, mas lembre-se de que você é o concorrente e não o selecionador para avaliar o perfil do contratado.

Dica: Se você está estudando (seja ensino médio, técnico ou universidade) saiba que não é vantagem deixar o cara mais desenvolto apresentar todos os trabalhos do grupo, que muitas vezes você construiu sozinho. Se ele já é bom para se comunicar, palmas para ele, se você não é muito bom nisso a escola é o seu palco! Lá se você errar no máximo vai perder pontos na nota e não uma vaga de emprego. Professor pediu para ler um texto? Se ofereça! Trabalho em grupo? Recuse-se a ler um texto escrito e achar que isso é apresentar. Desafie-se!


2 - Ritual de Integração

Enfim a vaga foi conquistada, você já não aguentava mais ouvir não, se inscrever em processo seletivo, ou pedir para te inscreverem (pedido muitas vezes não considerado) agora e só vida boa... Ops! De repente você se vê em meio a um grupo de desconhecidos, executando tarefas igualmente desconhecidas, considerando que na prática a teoria é outra e conhecer o produto de um trabalho não diz muito sobre o valor dele, agora você precisa se integrar ao grupo.

Aí começa o capítulo dois do filme de terror. O seu tom de voz baixa, o olhar igualmente, tudo parece incomodar o outro (mesmo que ele não fale nada) ali na sua tarefa rotineira, cheio de afazeres e você tendo que importuná-lo com perguntas que sempre serão óbvias para ele e nunca para você.

Isso não é problema de principiante num ambiente. Este sentimento voltará sempre que te lançarem um desafio novo que já é executado por outra pessoa e esta terá que te ensinar, e se não for obrigação dela, de qualquer modo ela será seu ponto de referência e a dificuldade será a mesma.

Dica: Aguente o tranco! Para os tímidos tudo parece mais difícil, mas sempre terá alguém menos truculento e com quem você vai conseguir ter afinidades. Aproveite essa conquista e vá criando novos laços. Comece com os amigos desse amigo, a turminha da hora do almoço. Devagar e sempre. Se isolar é muito confortável, mas não recomendo. Só de vez em quando, se achar que está a ponto de um ataque de nervos.

3 - Reuniões e contatos com desconhecidos

Ok, vencido o monstro interno, os colegas de trabalho já não são mais todos bichos papões (só alguns?), você já consegue se virar minimamente bem sozinho e sabe a quem recorrer sem tomar uma invertida desagradável. Mas se sua função for prestar serviço, isso significa a presença de clientes internos e externos, ou seja, muito mais gente desconhecida para lidar!

Muito mais cedo que você pensa te levam para uma sala de reunião com o cliente (com um pouco de azar ela será transparente e terá muita gente te observando), dizem que vão participar junto com você para ajudar, só que não! O que fazer? Sair correndo atrás da pessoa que te deixou sozinho na sala? Não! Quem está na chuva é para se molhar. E não fique na reunião pensando que está perdendo seu precioso tempo e que suas tarefas estão paradas e ainda vai sair com um monte de novas coisas da sala. Aceita que dói menos. Vai chegar o momento em que vai perceber que têm muitas afinidades com esses clientes, muitas vezes mais que com os internos, e tudo ficará melhor.

Também existirão as situações onde terá que ligar para pessoas para cobrá-las, ou para questioná-las de algo, e sempre existirão aqueles interlocutores receptivos, fofos, simpáticos, astutos e inteligentes e aqueles que você vai querer pagar para nunca ter que contatar, mas que vai ter que contatar assim mesmo.

Dica: Paciência. Vai trabalhando a dificuldade e convivendo com apontamentos em feedbacks após outro, pois não é uma limitação que se vença de um dia para o outro. No trabalho simplesmente não dá para escolher com que queremos lidar, e nada depende sempre de afinidade, muitas vezes educação já está de bom tamanho.

4 - Happy Hour

Seu local de trabalho não se limita a sua equipe, nem ao endereço da empresa, e nem sempre alguns rituais externos de rotina do tipo almoço em equipe preenche de forma efetiva a necessidade de cultivar relacionamentos. Vencer a etapa de integração não é suficiente.

Você sempre ouviu alguns grupinhos combinando de sair para algum lugar após o trabalho, e você só observa e pensa: “poxa no meio da semana! Que disposição, eu não bebo, amanhã tem trabalho, tem minha mãe, meu pai, esposa, filho, cachorro, papagaio...” Agora respira. Respirou? Um convite para um happy hour nunca vai funcionar para um tímido se for decidido em cima da hora, exatamente por que até o pensamento vencer todas as barreiras limitadoras o pessoal já pegou seus carros e se mandou.

Dica: Se com sorte o pessoal decidir algum encontro com antecedência, e te convidarem aceite, se não te convidarem e você souber, se convide. Se você não bebe ninguém vai te obrigar a beber, se você não fala palavrão ninguém vai te obrigar a falar, mas sim você é capaz de participar de uma forma muito saudável de um encontro com pessoas com quem jamais pensou em ter coragem de sair exatamente por serem as mais “de buenas” da empresa, os mais sociáveis. E você pode se surpreender ao se permitir quebrar sua rotina e ao mesmo tempo vencer mais um desafio dos tímidos.


5 - Festa de fim de ano da empresa

Estes eventos são aqueles que os especialistas sempre alertam que não é recomendável beber muito para não dar vexame, pois embora seja uma festa é uma ocasião corporativa, oferecida pela empresa e cheia de pessoas de todos os escalões da empresa.

Por mais que você se veja sobrando isolado no meio de um monte de grupinhos, não saia da festa. Sempre vão ter os caras que arrasam na dança, as moças que falam com todo mundo enquanto você só acompanha o movimento. É natural. É uma ocasião que junta quase todas as outras dificuldades citadas acima, mas tem uma vantagem: por ser um dia de festa as pessoas estarão mais simpáticas e menos resistentes a uma abordagem sua.

Dica: Curta o momento! No começo poucos se arriscam a dançar, até os que não são tímidos ficam polidos. Geralmente a percepção do que eu colocarei aqui é possível apenas para quem fica sóbrio: deixa alguns litros de álcool ser absorvidos pelo sangue dos participantes e logo todos começam a se soltar (não estou falando de porres e vexames). Aí vá no embalo (não da bebida, se não quiser), se solta, dance, se souber aproveita a ocasião, se não souber aprenda! Converse, brinque, conte piada, não fique chateado com a zoação, sempre vai ter um engraçadinho fazendo piadas de mau gosto, relaxa, nada pessoal. São momentos de leveza muito saudáveis para os relacionamentos. Não mata, mas fortalece!
O tímido vive com um monstro no pé do ouvido sempre contando as piores probabilidades que podem ocorrer se alguma atitude for tomada. Isso foi só o resumo, todo dia é dia de desafio para um tímido, o que não pode acontecer é a timidez virar justificativa para o fracasso profissional. Pense que é uma limitação completamente possível de vencer e administrável nos seus estágios mais graves. Já ouviram Danilo Gentili e Fausto Silva se autodeclararem tímidos? Você se imagina sendo apresentador de Talk Show ou Stand Up Comedy? Pois acredite, é possível!

sábado, 22 de abril de 2017

Altruísmo x Depressão

Recebi certa vez uma notícia que falava sobre depressão na adolescência que poderia ser minimizada por ações altruístas. Na época eu não soube muito bem o que fazer com a informação, não só porque eu estava levemente deprimida, mas porque já estava com 30 anos! 

No entanto, aproveitando o gancho da discussão do “jogo” Baleia Azul na adolescência e considerando que a atividade voluntária ultimamente é um ponto de interesse dos recruiters, e é um item de perfil de redes como o Linkedin, por exemplo, achei pertinente compartilhar minha avaliação da mesma. Um aviso: se você está deprimido, eu não estou te chamando de egoísta. Leia com atenção que eu explico.

A pesquisa produzida na Universidade da Califórnia e Universidade de Illinois, EUA, foi divulgada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences – PNAS (algo similar ao Scielo) e destaque na Revista Veja. Em resumo, foi feito por 1 ano o acompanhamento de um grupo de adolescentes de ambos os sexos, e aplicadas uma série de atividades com objetivo de avaliar a ativação de uma área do cérebro chamada de estriado ventral, relacionada a sensações de prazer vinculada a recompensas. Segundo os autores da pesquisa a adolescência é o período de desenvolvimento durante o qual as recompensas assumem especial relevância e vulnerabilidade. Com o resultado foi possível concluir que dos dois tipos de atividades que geram recompensas (hedônicas e eudemônicas) os jovens que apresentaram melhoras, redução ou evolução positiva nos sintomas depressivos foram os que optaram pelas atividades sociais, de apoio a família, etc.

Recompensas eudemônicas, segundo a pesquisa, incluem ajudar outros em necessidade, expressar gratidão e trabalhar em direção a metas de longo prazo, engajamentos em comportamentos pró-sociais para ajudar estranhos, amigos, familiares ou instituições de caridade. Estão relacionados a sentimentos de felicidade e significado. Proporcionam um sentimento de pertença e conexão social e constroem recursos, tais como sentimentos de competência, realização e melhores relações sociais.

Recompensas hedônicas por sua vez, tendem a ser mais autocentrada, incluindo o consumo de alimentos, jogar jogos virtuais, ir às compras para si mesmo e prazeres musicais, mas também pode envolver comportamentos de risco, incluindo exploração sexual e a experiência com bebidas alcoólicas (e acrescento aqui as demais drogas ilícitas). Estas recompensas durante a adolescência tendem a tornar os adolescentes mais agressivos e impulsivos do que crianças ou adultos, pois proporcionam sentimentos de felicidade e satisfação a curto prazo, mas esse efeito positivo tende a se dissipar mais rapidamente. A pesquisa reforça que a busca dessas recompensas pode ser prejudicial ao bem-estar, o que pode resultar em comportamentos de risco comprometedores para a saúde.

Quem quiser ler a pesquisa completa em inglês pode clicar aqui. As explicações acima foram traduções quase literais do texto. Não precisa muito esforço para encaixar as vítimas (criadores e participantes) do jogo Baleia Azul no grupo de estímulo cerebral de recompensas voltadas para o prazer autocentrado. Afinal, por mais absurdo que seja para quem está de fora, para o participante deve existir algum prazer em pertencer a um grupo, e ter alguém observando suas ações e recompensando cada tarefa concluída.

Esta pesquisa é uma ótima oportunidade para as escolas incluírem mais ações sociais em suas atividades. Saiam fora das salas de aula, já que sua estrutura também já está ultrapassada e não dá para ficar de costas escrevendo a giz na lousa enquanto seus jovens observam o celular, e depois fotografam o que foi escrito. Digo mais, os empregadores estão interessados em pessoas altruístas, que ajudam o próximo e a sociedade em geral. Estimulem positivamente o cérebro de nossos adolescentes! Aliás a pesquisa vale para todos.

Devo destacar aqui um nicho público que antes desta pesquisa já incluía na grade curricular ações de cidadania: o Centro Paula Souza. Infelizmente eu não estava mais na adolescência quando fiz ETEC, teria prevenido muitos males, mas participei de ações em prol da comunidade muito boas e edificantes. Outro fator importante foi essa mistura, eu não era mais adolescente, mas fiz parte da mesma sala com uma dezena deles e outros bem mais velhos que eu. Relações humanas muito saudáveis! Uma instituição que deu certo no Brasil, especialmente em São Paulo foi o CEETPS!

Para quem tem netos, filhos, sobrinhos, é melhor não pagar para ver se a depressão vai se manifestar apenas na fase adulta, onde teoricamente temos mais maturidade para buscar ajuda (sabemos que não é fácil), mas também tem muito pouca gente interessada em ajudar. Somos responsáveis pelos nossos jovens.

sábado, 15 de abril de 2017

As oportunidades não acontecem?

As oportunidades não acontecem, você as cria”. Essa frase foi citada pelo chef e fotógrafo do Arizona Chris Grosser. Não consegui identificar o contexto onde foi aplicada a frase, mas lendo-a isoladamente, embora ela esteja no ranking de frases motivacionais da internet não concordo muito com ela.

A palavra oportunidade vem do nome do Deus Romano Portunus, e está relacionado ao termo porto, que é a passagem entre o mar e a terra firme, a porta de entrada da cidade para os navegantes. Oportuno era o vento favorável que empurrava para o porto. Mantendo a figura, um marinheiro que quisesse navegar para determinada cidade deveria aguardar a oportunidade de que os ventos fossem favoráveis à sua navegação. De nada adiantaria içar as velas em direção à cidade se os ventos estivessem contrários. Que tipo de oportunidade mágica poderia ser criada nesta situação? Por mais que possam existir embarcações com uma tecnologia mais avançada (não entendo nada de modernidade marítima), certamente foram melhorias adquiridas pelo senso de oportunidade, ou seja, mais uma vez a adaptabilidade a uma condição existente e não o contrário.

Partindo para terra firme, quem está na lista dos desempregados a espera de uma oportunidade de emprego, também não deve ficar muito motivado ao ler a frase de Grosser tendo seus diplomas pendurados na parede, suas experiências anteriores relacionadas num currículo ao lado do seu segundo idioma e um pilha de cadastros em anúncios sem retorno e entrevistas recusadas. A fórmula da frase sugere o que? Não espere a oportunidade de emprego crie uma microempresa e contrate seus colegas de entrevista. Simples assim?

Claro que tem muita gente nessa fila esperando o mundo acabar em barrancos para morrer encostado. Currículo cheio de cursos incompletos, hibernando longos 10 anos de experiência na carreira júnior, envia cadastro para as empresas com o currículo no corpo do e-mail e sai das entrevistas sem pedir feedback pois está certo que o problema era da entrevistadora. São casos a parte. A grande maioria está no caminho certo, possuem objetivos sólidos, estão se preparando continuamente, mas a oportunidade não aparece.

Só para finalizar, imaginemos um funcionário de uma empresa que identificou que no seu próprio cargo existem formas melhores de se executar a mesma tarefa, mas muitas vezes implica em uma substituição tecnológica (a empresa utiliza tecnologias obsoletas no mercado), ou mesmo uma forma diferente de conduzir uma rotina, onde precisaria de mais tempo e espaço além do habitual. Ambas as situações precisariam que os chefes imediatos comprassem a ideia e lhe dessem a oportunidade de agir como tal. Nada de diferente poderia ser criado fora do momento oportuno.

"Aproveite as oportunidades que a vida lhe oferece. Encontre os oásis em seus desertos.
Os perdedores veem os raios.
Os vencedores veem a chuva e com ela a oportunidade de cultivar".

Augusto Cury


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Reforma da Previdência e Big Brother Brasil

Viralizou na última semana nas  redes sociais uma mensagem de indignação pública relacionando o programa Big Brother Brasil a Reforma Previdenciária:


"Votos para BBB 112 milhões em 48horas...
Votos contra a Reforma da Previdência menos de 2 milhões... Em dois meses
Entendem porque estamos nessa situação, alienação total.
Copie e cole....POVO OMISSO É BRASILEIRO"

Bom, li isso algumas vezes até que fiquei curiosa sobre o seu fundamento. Afinal, eu não assisto BBB para saber a quantidade de votos por hora de um paredão e eu também não votei contra a Reforma da Previdência. Aliás onde está ou esteve disponível para votação pública a decisão da Reforma Previdenciária? Em lugar nenhum.


Qualquer causa que tenha os canais do Twitter, Site oficial e SMS para votação, terá um número de participações maior que uma causa que nem aberta a votação pública está. Não é nenhuma particularidade do Big Brother Brasil.


Fiquei pensando de onde saíram esses 2 milhões em dois meses da mensagem. Ocorreram manifestações públicas contra a reforma. Duvido que se a decisão do paredão do BBB dependesse de manifestações participaria alguém além dos familiares mais próximos ou quem estivesse disposto a aparecer  na Globo. E olhe lá! Manifestação não é voto. 


Existem também algumas iniciativas de abaixo assinado pela causa, mas exatamente por serem movimentos dispersos também não têm chance de atingir os mesmos resultados do reality, mesmo que sejam somados no final. 


Os interessados, se já não receberam links por mensagem, procurem no Google e escolha uma vertente, ou para ser lógico participe de todos, pelo menos vai fazer volume de assinatura de todos os lados. Mas consideremos o fato de que nem todos vão buscar todos os movimentos disponíveis para assinar.


Logo a mensagem é muito sem sentido e incoerente. Os votos do BBB não implicam em omissão do povo pela Reforma da Previdência simplesmente por que nada tem a ver os alhos com os bugalhos. 

sábado, 25 de março de 2017

Olha o foco!

Quem já ouviu esse termo? Toda expressão recorrente me instiga uma análise mais criteriosa, pois geralmente não é aquilo que pretendem representar. Começando pela palavra foco. Já escrevi sobre o conceito duvidoso da expressão foco na carreira, e indo um pouco mais longe, percebo que há um grande perigo em ser muito focado.

Existe foco da dengue, foco da lesão, foco de incêndio. Já dizia a lei de Kepler: onde há fumaça há foco, digo, a proximidade dos raios de luz que passam por uma lente convergente (focada) podem incendiar certos materiais. Quem já matou uma formiga com uma lupa e um fósforo aceso (ou isqueiro) sabe o que estou falando.

Roberto Justos, em sua autobiografia Construindo uma vida disse: “Se concentrar sobre o que é particular é só uma forma de miopia” e “o detalhe muitas vezes mente”. Justus ainda acrescentou: “Sem ter a visão do todo, é impossível estabelecer com segurança como e onde me situar no conjunto de tudo”.

Fácil ilustrar esse assunto lembrando o polêmico lançamento do aplicativo Pokemon GO desenvolvido pela startup Niantic, Inc., onde os usuários focados em encontrar seus pokemons virtuais perdiam completamente a noção periférica e muitas vezes panorâmicas, com muitas notícias de acidentes e mortes. Na época o jogo foi muito criticado, mas na verdade o app literalmente trouxe uma realidade aumentada das coisas.

Será que nosso trabalho não é uma espécie de Pokemon que nos faz acordar e automaticamente já ficar alerta e sair em busca das obrigações diárias, sem nenhum propósito maior além do salário que por sua vez é o Pikachu, o monstrinho mais famoso e desejado por todos? Será que estamos em nossas rotinas presos a pokestops achando que recarregar as energias para uma nova caçada é tudo que temos para hoje? Será que também não estamos ignorando uma imensidão de possibilidades mundo afora, limitando nossos relacionamentos, lazeres, e várias outras coisas?

Muitas vezes quem diz “olha o foco” não quer dizer absolutamente nada. Apenas por um condicionamento acha que contrariar a visão linear é um risco. Risco na verdade ela corre se todos os focados olharem para ela e algum esclarecido inusitadamente lançar um feixe de luz em sua direção, o que, no sentido figurado, quer dizer que ela vai se queimar diante do contexto geral, pois seu cálculo de atitude aceitável estava limitado a uma visão muito restrita e distorcida da realidade.

"Não há clareza possível se não se enxergar o todo" (Justus).


domingo, 19 de março de 2017

Organização

A palavra Organização vem do latim e tem a mesma origem da palavra Orgão, e significa “aquele que funciona”. Incrível como as coisas perdem seu real sentido na medida em que o tempo passa! Para perceber melhor o que quero dizer, imagine se nossos órgãos funcionassem da forma como a gente se “organiza” no cotidiano para atingir certos objetivos?

O número de mortes por falência múltipla de órgãos estaria no topo do ranking das maiores causas de morte do mundo. Quando um órgão não está nas condições ideais de funcionamento ele pede ajuda. Como? Pelos sintomas. Febre, mal estar, enjoo, dor. Geralmente tomamos remédio para aliviar o mal estar, afinal precisamos estar ativos para organizar nosso dia a dia, senão ainda saímos como braço curto.

Enquanto isso nosso amigo órgão continua sem condições de funcionar direito e seu único meio de comunicação (os sintomas) não estão passando o recado como deveriam devido as drogas administradas. Até que um dia ele piora de vez e o que acontece? Somos internados e temos que parar na marra com nossas atividades.

Nós até tentamos fazer nosso organismo trabalhar no mesmo ritmo duvidoso que nós, mas ele não aceita menos do que a condição ideal. Ou é isso ou a morte. E se o jogo virasse e todas as cabeças da pirâmide organizacional e familiar começassem a agir com a mesma estratégia de sobrevivência que os órgãos: o ideal ou nada? E não falo de ideal em seu sentido ofuscado, de ideologia, algo como um sonho longe do real. Mas no sentido de melhor forma.

Como seria se os sintomas apresentados quando as coisas não estão em condições de funcionar de modo adequando não fossem vistos com desconforto, como corpo mole e sim com a devida atenção e imediatamente entrar em processo de diagnóstico do que está acontecendo e mobilizar os demais órgãos e recursos para “curar” o problema ao invés de desgastar aquele membro e consequentemente perder força no corpo em geral?

Nem sempre é possível realizar um transplante (substituir um órgão por outro). E quando dá nem sempre a qualidade é a mesma. E o organismo tem uma tolerância para transplantes. Chegará uma hora que nem substituir resolverá a debilidade gerada pela forma atual de funcionamento.


sábado, 18 de março de 2017

Delação Premiada


Delação premiada virou moda no judiciário, e os principais delatados são políticos e os principais delatores os empresários que financiaram os políticos. Já pensou se delação premiada vira modinha nas empresas também? Como seria se todas as ações ilícitas insufladas por alguém de crachá, que evidentemente não aparece na cena, mas que põe seus funcionários laranja para representar, viriam a ser descobertas se um sujeito qualquer com poder para tal desse a oportunidade para uma delação “premiada”. Nunca antes na história do país um dedo duro foi tão bem recompensado, mas o Brasil entraria em colapso se o cenário privado copiasse o modelo público.

Assim como acidentes de avião, demissões também acontecem. É a crise! Fazer o que?

Talvez uma diferença que vale atenção é que a delação premiada é uma forma de proteger o delator que também está envolvido até as tampas no caso, mas por abrir o jogo ganha algumas vantagens. Numa empresa o único que se sentiria desejoso de delatar alguém seria exatamente aquele que caiu de gaiato na trama, e não tinha nada a ver com a história. Para isso mesmo ele foi envolvido, para pagar o pato. Igual ao Corinthians: demorou, mas no final acabou pagando o Pato!*


*Alusão irônica a venda do passe do jogador Alexandre Pato para o Villarreal em 2016.

sábado, 4 de março de 2017

O Mistério das Bermudas

Não, não me refiro ao Triângulo das Bermudas!

Desde os tempos em que o Jornal Nacional era apresentado por Cid Moreira e Sergio Chapelin e o mito de que os jornalistas usavam bermuda por trás da bancada, existe um burburinho em torno desta peça de vestuário no local de trabalho. Lembrando que o boato da bancada do JN ocorreu por volta dos anos 80 a 90.

Aí chegamos no século XXI e a moderna empresa americana Google virou referência no modelo casual de seu ambiente de trabalho e no vestuário dos colaboradores. Um dos lemas da empresa é “você pode ser sério sem usar terno” é um mantra das novas empresas que estão mudando suas culturas nesse sentido.

Em nenhum lugar achei a associação de não usar terno com usar bermuda, mas recentemente vi um alarde sobre isso nas redes sociais se referindo à mudança de cultura da empresa Gerdau. Entre as mudanças do ambiente físico sem paredes dividindo salas por hierarquia, realidade presente também no ambiente da holding brasileira Alelo, horários flexíveis e Wi-fi livre, a Gerdau apostou na permissão do uso de bermudas.

Muitos sindicatos inclusive estão lutando para dar esse “direito” aos trabalhadores. É isso mesmo produção! Querem institucionalizar o uso de bermudas no ambiente de trabalho. Fico me perguntando onde surgiu essa ideia de que a vestimenta interfere na qualidade do trabalho ou na competência da pessoa. Dá para ser sério sem terno, e ser patético com terno. Tanto faz. O fato é que está se criando um estigma negativo sobre o vestuário social “estilo banco” que pouco tem a ver com a capacidade de trabalho do ser humano.

O máximo de vantagem é para quem sente muito calor, mas particularmente me sinto mais a vontade com social e salto alto, embora minhas competências funcionem de forma idêntica com qualquer roupa que eu estiver usando. Dizem que o ambiente informal estimula as pessoas a dizerem a verdade. Só se for “nossa como sua perna é fina!”. Piadas a parte, o hábito de falar a verdade depende mais do caráter do que da vestimenta.

Será que William Bonner seria um melhor editor chefe do JN se levantasse da sua bancada de bermuda para falar da previsão do tempo com a Maju? Para quem tá com tempo é um caso a se pensar.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Dá um trocado?

Num passado não muito distante, podia associar a frase “Dá um trocado” à rotina de um pedinte de rua. Hoje em dia tem comerciante assaltando chapéu de mendigo em busca de moedas! A situação está tão crítica que tem loja perdendo a venda para não perder o troco.

Fui há algumas semanas comprar um objeto barato, R$ 2,00 era o preço. Eu só tinha uma nota de R$ 20,00 para pagar. Quando mostrei minha nota a vendedora parecia que estava vendo o coisa ruim; me olhou com cara de “pelo amor de Deus me dê uma moeda” e respondeu sem que que eu pudesse raciocinar: “Não troca não moça”. Não questionei, nem me dei ao trabalho de procurar um trocado na minha bolsa, tamanha má vontade daquela infeliz.

Esse lugar era um comércio no centro da cidade e, no entanto, os responsáveis têm um pensamento bastante primitivo. Para ilustrar o que quero dizer, lembro-me de outra situação, onde levei alguns sapatos para consertar numa sapataria humilde, num bairro isolado da cidade. Seu Joaquim um senhorzinho idoso, cabelo bem branquinho e sua esposa, num local simples cuidavam da netinha especial enquanto consertavam sapatos. Deixei os sapatos de um dia para o outro e quando fui buscar ocorreu algo semelhante ao caso anterior, uma nota sem troco.

Nesse dia só estava a senhorinha e a neta, quando viu que não teria troco ela pediu-me para aguardar que ela ia na vizinhança conseguir troco. E ali fiquei fazendo companhia para a netinha especial que fazia guizos e sorria de longe. Até que a senhora voltou com meu troco, entregou os sapatos prontos e impecáveis e se despediu com uma educação ímpar.

Não precisa ter CNPJ nem placa estampada com nome bonito para prestar um serviço de qualidade. Não sou banco central para ficar fornecendo moeda, sou consumidora e quero meu direito de pagar pelos produtos que me disponibilizam para venda! Se eu estivesse com disposição eu citaria naquela situação o art. 39, IX do Código de Defesa do Consumidor, que diz que é prática abusiva “recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamente a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento”, mas meu humor não estava muito amigável.

Sai dali e tratei de trocar meus R$ 20,00 em outro estabelecimento, senão teria que pagar o ônibus com ele, e ai provavelmente eu teria que voltar a pé para casa.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Sua Excelência Roberto Jefferson!

Existe um texto na internet do Palestrante Mario Persona, publicado na ocasião do depoimento de Roberto Jefferson para o Conselho de Ética do Mensalão, que explica com inteligência a personificação do “ser político” na figura do presidente do PTB. O texto chamado O que aprendi com Roberto Jefferson traz com riqueza de detalhes os dons de comunicação e oratória do deputado, recomendo a leitura. 

Sempre achei “Boby Jeff” espetacular, no mesmo sentido apresentado pelo autor, ou seja, um sujeito que sabe o que fala, independente da verdade ou não do seu conteúdo. Quando o Mensalão teve seu boom e a mídia trouxe essa figura exótica à tona, esse homem me chamou atenção em meio aquele bando de políticos senso comum. Até o Maluf que conseguiu se reeleger após o seu discurso do “rouba, mas faz”, perde feio para o Boby. 

Posso desconfiar o que muitos pensam sobre o que é ser político. No entanto, dependendo de quem usa o termo soa meio estranho. Diante do professor Boby, qualquer um que pretenda agir politicamente não passa de um cínico, espertinho metido a besta, que no segundo discurso sobre o mesmo assunto se contradiz e não sabe mais amarrar o seu próprio enredo; sai do ritmo da própria dança quando a luz acende; ridiculariza, menospreza ou diminui o próximo para se manter “acima” das circunstâncias. 

Já que saber dar um somebodylove é pré-requisito de sobrevivência neste mundo (corporativo ou não) vamos pelo menos aprender com as pessoas certas! Não basta ser esperto, é fundamental ser inteligente. Até que se tenha inteligência e treino adequado, acho muito pouco prudente querer agir politicamente. Não é o tipo de coisa que basta seguir um conselho, senão corremos o risco de sermos criaturas patéticas, encenando e nos achando um máximo por convencer uma maioria de espertinhos. Até esbarrar com uma minoria de inteligentes...

Geralmente essa maioria de espertinhos não apita nada, não influencia em nada, e não vai te ajudar a evoluir na vida, nem na carreira. Em massa fazem um pouco de barulho, mas diante do inteligente e sagaz serão os primeiros a virarem a casaca. Acho válido o esforço de aprender a se comunicar com as pessoas, ser convincente independente do que esteja realmente pensando em relação ao que está a sua volta, saber argumentar com verdades, chamar as autoridades de excelência mesmo que preferisse tratá-las como mereceriam (aqui soa muito falso, mas é acertado). Mas repito, é questão de treino. Tenhamos senso do ridículo! Se não tem os argumentos certos, fale a verdade ou cale-se. Pode doer, mas sua alma vai ficar tranquila, e seu caráter a salvo.

No Conselho de Ética do Mensalão, Roberto Jefferson era da minoria inteligente diante de um monte de espertinhos políticos sedentos por sua queda. Saíram todos com o rabinho entre as pernas, pois mesmo admitindo as suas culpas, e depois sendo preso e tudo mais (no histórico da novela) nunca antes na história do país um canastrão foi tão autêntico e admirável.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Copo meio cheio

A teoria do copo meio cheio diz que se um copo está com água pela metade o ponto de vista positivo seria considerá-lo meio cheio e o negativo meio vazio. O meio vazio dá a entender que pode continuar esvaziando, sugere escassez, o meio cheio ao contrário sugere abundância, vai continuar a encher.

Não sou pessimista, mas percebo que a expressão “pense positivo” carrega uma crença meio tola da realidade. Contra todos os fatos negativos, fica sempre alguém na ilusão do positivismo. Existe um provérbio português mais antigo do que essa onda positiva new age que diz que “contra fatos não há argumentos”.

Sempre que alguém aponta os fatores negativos de algo logo é criticado e reorientado com a velha teoria. Quando na verdade a intenção é prever os impactos que diante de uma boa análise dos fatos será inevitável, principalmente se for ignorada e não tratada.

O copo meio cheio sugere que com a mesma proporção com que ele pode esvaziar ele pode continuar enchendo, só que ao continuar enchendo ele pode chegar a outro termo popular que é o da gota d’água, ou seja, a derradeira gota que transborda o copo. O fato crítico que supera os limites da tolerância.

Por essa perspectiva a escassez do copo meio vazio consome menos água (tempo, sofrimento, esforço) do que o copo meio cheio capaz de transbordar. Diante do contexto, tratava-se de um risco previsto e não considerado. Não adianta olhar para um copo cheio pela metade sem saber o que aconteceu para que chegasse ali. O copo estava furado? Alguém estava bebendo? Está há tanto tempo ali que estava evaporando? Sem crítica sobre os fatos o otimismo não leva a nada.

Copo meio vazio: se consumir esvazia.

Copo meio cheio: se não consumir e continuar enchendo transborda

Copo meio cheio / copo meio vazio: se não consumir vira foco da dengue.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Malandramente

Há não muito tempo quando ouvia o termo politicamente correto, entendia como algo certo dentro dos padrões morais aceitáveis. Depois passou a ser algo pejorativo, o cidadão politicamente correto era o “certinho” e não o correto, ou melhor, era o cara que pensava dentro da caixa, e por isso mesmo estava contra a correnteza da sociedade. O seu certo já não era mais o único padrão aceitável. Hoje politicamente correto não é nem uma coisa nem outra que mencionei acima. Se focar apenas o termo “politicamente” o novo conceito praticamente se auto explica. Eureka! Já diria Arquimedes de Siracusa.

Quem já assistiu a uma sessão do senado, ou da câmara, das mais acaloradas, onde os digníssimos tratam-se por vossa excelência, quando, por si estariam xingando-se até a vigésima geração de suas mães, entende o que é o politicamente correto. Quem já assistiu há de concordar o quão patético são estas cenas e esses vocabulários, quanta falsidade é apresentada naquele ambiente, mas é a mais bela demonstração de que aqueles homens e mulheres honram o título de políticos. Fazem uma coisa e pensam outra, não que fosse melhor eles agredirem-se como quereriam. Dá para ser educado sem ser dissimulado. 

Saindo um pouco dessa realidade que não nos representa (...) o correto politicamente falando também se enquadra no malandro. O malandro é o político em fase embrionária, é o esperto que atua fora dos palanques, nas escolas, universidades, empresas. Malandramente ele escolhe o prático e não o certo, até descobrirem que algo deu errado ele já ganhou as glórias e o aperto de mão do gerente; depois alguém pega para concertar.

Malandramente ele reforça em seus discursos para os outros evitarem os erros que ele mesmo comete, mesmo porque ninguém faz alarde dos seus erros, e para todos os efeitos estão rolando avisos públicos em seu nome da forma correta de se fazer. Que prenda! Quem vê de longe até tem como exemplo e comemora suas vitórias. Quanto reconhecimento!

Na política ele almeja a presidência, na escola almeja o cargo de líder da classe, ou no máximo a confiança necessária para garantir que seu nome sempre estará estampado em trabalhos que nunca fez. Na empresa ele almeja o cargo se sênior, quando não merece nem o pleno. Age como se estivesse fazendo uma coisa, quando na verdade está fazendo outra. Tudo isso lhe parece correto, é a estratégia ideal que o leva aos seus objetivos. E de fato leva. Mas a que preço? 

Na definição de James. C. Hunter: "Caráter é o compromisso de fazer o melhor, mesmo quando você não deseja". Os objetivos serão alcançados, mais cedo ou mais tarde, num ambiente ou no outro, para uns de modo mais fácil, agindo malandramente, para outros não. A velocidade das conquistas dependerá da força do caráter somada a medida do trabalho.

Suas ações viram seus hábitos, que viram seu caráter, que vira seu destino”.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Estude!

A menos que você queira ser um dos 70 maiores bilionários do Brasil ou Presidente da República, acho melhor seguir meu conselho: Estude!

Há mais de 20 anos ter curso superior era luxo. Muitos gastavam todas suas energias para passar numa Fuvest da vida, na tão sonhada USP, quase que a única possibilidade pública de formação superior em São Paulo. Desses mesmos vinte anos para cá, curso superior virou Commodities, bolsa de estudos ficou fácil de conseguir, mensalidades relativamente mais fáceis de pagar. Por isso mesmo o mercado de trabalho mudou de perfil.

Na descrição de várias vagas de emprego um dos principais pré-requisitos é a formação superior. Muitos de nossos pais com mais de 40 anos de carreira não teriam conseguido o mesmo emprego nos dias de hoje por não terem formação. Isso não é o problema. As coisas mudaram. Passando de largo pelas redes sociais vemos nomes usados como exemplos de empreendedorismo reforçando que alguns não possuíam ensino superior ou não concluíram.

Um deles foi o dono da marca Zara, Amâncio Ortega que deixou de estudar aos 13 anos para trabalhar e hoje concorre com Bill Gates no ranking de empresário mais rico do mundo. Bill Gates por sua vez interrompeu a faculdade no terceiro ano de Direito e Matemática. Mas Bill deixou a Universidade de Harvard. “Um ano em Harvard equivale a 30 anos em algumas Uni-esquinas que temos aqui no Brasil ou pelo mundo afora” (Cortella, 2013). E o último da vez Eike Batista, sabe-se que ele iniciou em 1974 a faculdade de Engenharia Metalúrgica, mas não achei registros de até onde ele foi com o curso, só o Brasil agora descobriu que ele não terminou.

O que quero dizer é que não é mérito nenhum ter vencido sem estudar. Não adianta postar fotos dessas personalidades se gabando por eles não terem concluído um curso superior e estarem afortunados. Tente reproduzir os seus feitos! Comece procurando um emprego e dando de cara com um dos pré-requisitos da vaga: Formação Superior, e o segundo: Experiência. É seu primeiro emprego e não tem experiência? Tenha formação, mas procure outra vaga porque para essa precisa dos dois requisitos juntos. Nem tente argumentar com o selecionador que Amâncio Ortega, Bill Gates e Eike Batista não precisaram de nada disso...

Sim, todos eles começaram trabalhando. Ok, Eike Batista era filho do ex-presidente da Vale do Rio Doce e seu primeiro emprego (Corretor de Seguros) nem o Ortega conseguiria hoje porque exige Ensino Médio Completo. Mas se você não tem pai rico e poderoso e se enquadra entre os que abandonaram a faculdade, aproveita as poucas funções sem muita exigência acadêmica. Daqui há 40 anos te vejo na capa da Forbes.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Manifesto: Faça o que tem que ser feito

Li recentemente num capítulo de um livro que faz parte do conteúdo teórico de um curso de formação de analistas de processos, um texto bastante chocante pela empatia que tenho pela ideia do seu autor.

Neste blog já falei muito sobre incêndios, método, mas nesse texto que menciono Gart Capote consolida em seu manifesto tudo que representa tanto “barulho mental” que me aflige:

"Não é possível acreditar e aceitar que fazer o que sempre fizemos nos conduzirá a novos e melhores resultados.

É deveras atordoante ouvir de analistas, consultores, gestores e de outros profissionais das mais diversas funções organizacionais, que muito não poderá ser feito, pois a direção da organização não entende e nem percebe o valor de BPM ou, no caso de organizações públicas, que não adianta lutar por certas mudanças, afinal, o que prevalecerá é a pressão ou a vontade política.

Isso é Conformismo.

Toda vez que ouço declarações desse tipo, imediatamente imagino o modelo mental de quem as profere. Sempre digo que a maior mudança ou inovação não é, necessariamente, a mudança ou a inovação tecnológica, mas sim, a mudança de comportamento e mentalidade.

Os profissionais de processos, especificamente os simpatizantes e praticantes de Gerenciamento de Processos de Negócio – BPM, precisam assumir a responsabilidade de promover a mudança – a inovação da mudança de mentalidade.

Não basta alcançar certificações técnicas e titulações das mais variadas, o que precisamos – realmente – é aprender a dizer NÃO. Dizer NÃO para propostas escusas, projetos mirabolantes que lesam a sociedade, escopos mal elaborados, trabalhos sem objetivos, produtos e serviços que ferem nossos princípios e os direitos de outros.

Nossa sociedade (mundialmente pensando), que está cada vez mais carente de valores e propósitos, precisa dar um basta imediato em todos os problemas que até agora temos “dado com os ombros”. Ao continuar agindo assim, só passamos para a próxima geração a responsabilidade de resolver, se revoltar, resolver... Desistir.

Os profissionais que trabalham com melhoria e gestão de processos são responsáveis diretos pelos resultados dos processos por eles melhorados e/ou geridos. Sei que é mais fácil negar e/ou compartilhar a culpa. Mas, se não assumirmos a responsabilidade, nada mudará.

Pense nos processos organizacionais como elementos vitais, não apenas para a organização em si, mas para a sociedade como um todo. 

Pense na importância de um processo com a mesma intensidade que percebemos o valor da água em nosso planeta".

O texto completo você lê aqui

Para mim não existe nada mais gratificante do que atuar na área de processos. O problema é o que o autor falou por mim.

"Profissional de Processos - Faça o que a sociedade precisa que seja feito".

domingo, 8 de janeiro de 2017

Aposentadoria

Analisando as últimas notícias da Fórmula 1 deparei-me com o anúncio curioso sobre a aposentadoria do piloto Nico Rosberg. Nunca acompanhei a F1, no auge do esporte para o Brasil, na Era Airton Senna, eu era muito criança e lembro vagamente. Depois passei a acompanhar de relance a carreira do alemão Michael Schumacher muito por causa das brincadeiras em relação às vitórias sobre Rubinho Barrichello.

No entanto, enquanto eu estava me achando nova demais para me interessar pelo assunto o garoto Nico Rosberg dali a alguns anos após a morte de Senna em 2003, com 18 anos começava sua carreira de piloto e tinha um propósito em mente: Queria se tornar campeão mundial de F1 e isso estava muito claro em sua mente. Segundo suas próprias palavras em entrevista.

E assim o também alemão, brilhantemente chegou ao seu objetivo e pode enfim em 2016 anunciar a sua aposentadoria da carreira de piloto aos 31 anos de idade. Agora nos voltemos para a realidade abaixo da linha do Equador. Onde o jovem que começa a trabalhar aos 18 anos pode pensar em se aposentar após os próximos 60 anos, e se nesse intervalo ficou algum tempo sem contribuir com o INSS pode jogar a aposentadoria para gozar na eternidade.

Claro que o cálculo é ajustado de acordo com a expectativa de vida que está aumentando. E algumas carreiras permitem o encerramento mais rápido como a própria F1 e o Futebol, por exemplo. Mas nas profissões da grande maioria do povo imaginar a data da aposentadoria está tão difícil que é melhor nem tentar.

Nossos pais e avós podiam trabalhar e pensar no dia da aposentadoria, e chegamos a vê-los chegar ao tão sonhado descanso. Também vimos àqueles que se aposentaram e continuaram trabalhando, pois os recursos não eram aquilo que imaginavam! Daqui para frente o filho que assistir seus pais se aposentarem verá um momento histórico.

Nico Rosberg se daria bem por aqui abaixo, pois ele tinha algo que poucos brasileiros sabem o que é: propósito. Ele começou a carreira determinado a ganhar um título de campeão do mundo e todos os seus esforços foram direcionados para esta conquista. Nem todos precisam querer ser um campeão do mundo, mas é verdade que muitos nem sabe o que querem e por isso mesmo se sujeitam a qualquer coisa. Muitos ainda falam da aposentadoria apenas repetindo o discurso que ouviram de seus pais sem perceber que a realidade é outra.

Não dá para trabalhar contando com aposentadoria.